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sábado, 5 de junho de 2010

Aqui, o vazio é um presente nosso.
Joguemos pedras nos corpos vãos
que odiamos - amaríamos (se)
anfetaminadamente simbólicos,
sambando na praça pública
e transando a tristeza só.

Ainda contando os segundos de me ver nu.
De me ter no segundo confronto -
De fronte, meu mar de suicídios egóicos:
que prazer, doutor!, dê-me a pílula de um além.

Em mim, está o inferno da cor.
Eu amo qualquer safado filho da puta.
Sou filho disto que te devora,
e meus irmãos de deus custam
a me amar.

Eu é que sou filho da puta. Marginal.
Enquanto houver entretantos,
e as terapias ilegais, sorrisos afeminados,
a maquiagem explícita, a vontade
de gozar numa boca com a boca roxa.

Quero é ouvir gemer. Tremer num ouvido
alheio, sem saber qual a nota frota de mim,
comer pernas quaisquer a ferro e aço,
e baseado no que fumo, fumar todo nu
lá ao meio de teu mar de coxas frouxas.

Doravante, contemporâneos, somos um só.
Somos todos ódio. E conjunto de pernas,
paus, mãos, bocetas, pêlos desgastados;
estuprando o amor, com roupas peles de meninos
que nas esquinas vendem a nossa dor.


T.
05 de junho de 2010.

sábado, 14 de novembro de 2009

Às três horas da manhã - a ouvir um jazz etíope, eu acendo meu cachimbo. Não quero um pouco de tempo, não quero um pouco de ninguém. Nenhuma voz irritante, nenhuma companhia à venda só nas quintas ou nas sextas. Nenhum amigo de hora marcada, nenhum psiquiatra de carreira feita. Nenhuma mulher sem cruéis seios, nem seios com uma boca hostil, ou mesmo carinhosa. A estas horas vê-se o que há de ser amor à noite, amor sem tempo. O detrito que mancha os céus e desce pela janela. Eu não tenho lembrança das horas vagas, nem resquícios dos beijos que já dei. Não me recordo de quando fui a Marte. Não sei que satélite me persegue aos dias. Apenas sei que as sextas me matam, os sábados me engolem; e os domingos nem parecem existir.

domingo, 8 de novembro de 2009

Extratos de uma obra inacabada.



(...)
III

Confesso mais que o devaneio está sob ordem da efervescência da modernidade. E assim em conflito com a abertura da liberdade constrangida – e agora vingativa; ou no marasmo do coito com todas as tardes deitadas no chá da adaptação veraz.

É tão gigante o Universo que é minúsculo. É cabível da razão qualquer que se decida até em valor da idéia volúvel. É pai e mãe dos planetas da ignorância; é acolhedor – e é a bruxa das maçãs envenenadas, e o desprezível homem da esquina, à espreita da criança solitária, vinda do colégio às cinco horas. Tão gigante e amado por sê-lo: os números já foram assimilados.

(...)
V

Do banheiro pude ouvir ainda mais alguns gritos; rapaz audaz! Um óbice à minha ciência talvez, mas já lhe tinha absorvido o método outrora. Agora é só inconstância do dia, um pouco de impaciência – aí sobra só a reticência vaga que lhe acaba por furtar o fio do método, mas audaz! E teimava novamente, mergulhado no mar do objetivo.

“A paz – disse lá no altar da impassibilidade soberana – é o grão singular!” “Roubara-a em desacato, toxicômano-plúmbeo!, infestando a vida de meu primo.” Ah, lapso! Mal tolhia a mão a seu primo. Não me era muito. Pouco antes, tornara-se apenas um vulto de algumas horas em alguns dias. Fumante que era, andava comigo por aí a fumar um tanto. Conheci-o já assim, pelo menos guerreava a nicotina, ao passo que eu a afluía em lentidão, só pelo aprazer do ato longo.

Verdade que certa vez pus-lhe uma idéia de deliciar-se num saque letal à mente, numa viagem sem âncora – mas só por conceito do veneno e da concepção de nova variedade em seu estado. Também há que a escolha é prova de acordo, então nada me é necessário dizer.

(...)
VIII

Eu fui à procura do passo venenoso, pus me à beira do contexto; inseri-me por impulso só meu, e de minha vontade. O resto fluiu por essa cooperação com o imaginário orbicular, atento às emanações do prazer e da experimentação altiva – o vínculo ritual do sabor único do espaço-tempo-ato de já.

Provei sozinho. Tornei-me envolto à margem obscura da consciência e da conseqüência. Dei o salto pela cidade, enlouquecido e só. Sem afeto que se caiba a ser outro qualquer, nem aberto ao atrevimento da calúnia morna, nem ao ato fúnebre da raça que policia em armas a si mesma.

(...)
X

Peguei o uniforme do teu colo, morena. Fui vê-lo; tocá-lo de perto, e se fosse-o em olor de maracujá selvagem, ou o recuo de tua pele suada, teria-me atraído e conquistado. Por fim, fora só refúgio da vontade e da criatividade cáustica – porque de teu corpo, aliado só o declínio primaveril. Ainda pomposa, ainda em mão ao desfile corpóreo, e a três ou quatro passos do mergulho à frustração psicológica: a grande autonomia do ser.
        
Fatos sobrepõem outros fatos – a partícula da adaptação temporal é posta a golpe! As faces são faces – e sobrepostas também: cansam a contagem dos dedos do senso e dos dedos da dívida comum entre irmãos. O dilúvio das relações é alçado às velas da metamorfose; a tensão pelo espírito feminino, pela vibração dos corpos, a dança dos tóxicos... – satirizo a minha quebra de sentido; passeio pelas folhas da árvore perdida, ladeada à entrada do circo. Eu andei até lá.

XI

Eu sonho com alguns  gnomos. São como representações vivas, de um roxo escuro – e um pouco de verde negro. A música. A sensação do piano na casa do inverno etéreo e onírico. O perigo da sensibilidade, enamorada dos gnomos do jardim – naquele passo da garota que some pelos arbustos, da beleza de uns cachos inocentes, ainda mais jovens que a incerteza do sexo-homem. Eu vejo os gnomos capturando-a. Levando-a pelos corredores em pedras envelhecidas, mordidas. Com os braços presos, pernas amarradas; à marcha da concentração diabólica dos seres do jardim obscuro.
        
Vibra-me a mente o som dos machados rústicos. Lapso grosso que espanca a terra, que deforma o privilégio do solo secreto escondido da afetação extra-natural. Numa fila de lentíssima ordem; há em vista o desespero do absoluto – os seres decaídos arrastando o círculo infinito de uma mola artesanal. A fila dos caldeirões de fogo vibrantes, lancinantes. O aspecto do aroma esquecido da luz alva, os dedos em sujeira explícita do trabalho das madrugadas subterrâneas: é o vulto escondido ali, sem reflexo pela lua, sem apego ao ar da superfície, em mistério do erotismo perverso.

Não há semente de bondade, ou maldade. Sem o perdão – e a educação áspera e rigorosa. O que há é temível como assim em face, pela delícia do caso francês, e do tribalismo cabal, excitante e desconhecido: o toque carnívoro que consome a carne, as paredes rígidas que privam a expressão do grito – o canibalismo em afronta à voz alta, sem interrupção, transcorrendo em estímulo de dor.

(...)
XIII

Vez em quando engana-nos o passar da noite: sentamos ao esquecimento da luz, às obrigações que perdem a validade no joguete da aurora noctâmbula. E descemos pelo poço da comunhão das sensações, víboras do salto feminino – que lhes engana e encanta a todos, ao ladear-me a face, com esse cigarro que trinca em meus dentes e lhes esconde o fluxo da mente sem tempo.

E assim – sem vulto algum que me prejudique o lírio, navego às encostas em incentivo que acorde meu pulso pelo sangue: desmanchando-me daí em teu corpo, estendido por decúbito. Molhando-me os lábios num vermelho-volúpia, consternação. A vileza do agrado em bom-horário.

Converso-me, tiro a dianteira do fato exposto à carne crua – é tanto mais que há por expor! E muito mais da carne crua que não filtra a lógica rápida e fogo. Converso-me, pois, em voz alta, que escuta-se mesmo pelo senso avulso de se procurar ouvir. Mas lá que me é mais fundo quando ouço a mim, e à altura da lógica em debate. Que dirás? Ainda é mais do tempo retirante – quando estou solto da marra frígida do socorro medicinal, e vou sozinho a segurar minha própria mão. Eu me confesso, pálido da culpa morna: não há resgate da realidade que se desmanche à idéia do sangue devasso.

XIV

O que são estas línguas todas que vibram em minha boca? São fruto, e são desespero. E ainda: só o desespero é são! Calmo, controlado e esquizofrênico sem-parada, sem tempo de ação: aproveitando-se do congestionamento de ações e ações. Eis-me! Eis a imensidão do vazio. Uma mão é um olho fatigado, a outra mão segura um pedaço magro de madeira, dá um piparote qualquer, e lança ao espaço – sem esforço algum.

(...)



Aos meses finais de 2008.


Vinhos, mistérios, e o passeio da esfinge à noite.


Gabriela, e as delícias de ser baiana.
Escrever é tão delicado. Meu coração esfalece em pedaços, e as vontades vão, e não voltam - e desfaleço em minutos. Tão breve o tempo desmonta, não me vale mais escrever assim. Recordo de Rimbaud quase sempre, e de seus dezenove. Ainda mais quando tudo assemelha-se a fim, fim e prazer. São traços desabitados, enquanto desmaio em lembrança de um pequeno beijo. De um amigo, ou enamoradas. Desmancho-me tão fácil e brevemente, eu espalho minha saliva até os pés próximos a mim. Enquanto vem esta vontade de te rasgar o vestido, e destruir a marginalidade de qualquer intuição. Destruir esta falsa modéstia moderna. Esta desgraça de passar seis meses sem escrever. Alguns poucos até ali, e o sangue será deveras visível. Explosão, inundação, overdose. Sexo e nenhum amor, e nenhuma abstinência e todos apaixonados. As confusões dos novos tempos. Solidão e amor, e amargura, e todos os gozos são um só.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hahahahahaha.
O título dessa imagem é "MerDeca1".
Não se apavore, é apenas uma aglutinação.
Qualquer semelhança com outros substantivos/adjetivos é mera coincidência.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Eu não vi quem não me quis ver

Eu sou em voz alta e clara, e eu grito.


A quem quis foder: Fodeu!
E ao nadador: há muita chuva por vir!

Eu ando, e se tenho casa,
que me faça por andar ao meio da rua,
em meio a sua cabeça.

Eu sou e ando e tenho todas as vogais
e consoantes do mundo das seis!

Das sete, das oito...

E todas as dúvidas que lhe caibam.

A quem se despede:
até mais!

Até, que aqui estou eu.

Aos meus dez minutos de antes,
disse-lhe todos os meus minutos
que antes é seu.

A esses de agora, eu ainda tremo,
e se não respiro, é porque respiro mais.

Meus pontos de despedida, são pontos
de adeus, dando fé à merda!

À merda!

E, a quem me dirá:
[leia aqui
"há rebeldia demais!",

rebeldia há mais.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Obsceno

Chamais-me viciado, pois por todo o
Dia estudo a mim mesmo - e fumo!

Pois acordo-me e subo as escadas
Da forca; e lá abro um livro branco,
E vos leio palavras não-escritas.

Clamais-me viciado, porque em ter
Uma cigarrilha aos lábios, estudo
Poesias; traduzo poesias e não ensino a poesia.

Porque bebo do álcool vulcão que jorra,
Derreto à chama do tesão e volúpia,
E, de entre gotas, estudo, interpreto
E crio a ciência.

Chamais-me viciado, porque uivo;
E grito ao caos; viva noite!
E caminho e furto ao caos.

Viciado rogais-me vós,
E odiais-me as mãos femininas,
Ou a serenidade viril, não paz!

Vivo e crio e destruo e experimento.
Vagueio às sombras das épocas
E não vos temo, bocas aflitas;

Sou o próprio tóxico a desintegrar
A cura falsa da perfidez pública,
E esoterismo da repetição eterna,

Publico a morte em vida,
E toco-me em vida, em morte;
Odeio-me assim tanto e amo a mim,

E não creio o bom, nem o mau;
Nem litigo a inconsistência do ser.

Odiais-me vós já que meu vestido é negro,
E a minha dor e o meu amor, versos sujos;

Que decaem e me jorram unidos,
Do meu próprio ser que lhes é,
No sangue em delírio, também negro.

Cuspi-me, pois que sou puta moderna,
Que rende, prova e odeia o mundo,
E, indiferente, vos abre as pernas.


T.
Segunda-feira, 6 de outubro de 2008.

sábado, 4 de outubro de 2008

Experimento-te, complexidade das épocas.

Vivo, pois, numa época vagabunda!
De vielas mais civilizadas, e assaz
Imundas, enlouquecidas, e primatas.
Meu lar à meia-noite numa rua turva.

O privilégio daquela geração larva,
Vem sombrear-se no conselho alheio,
E alucinar lágrimas da deriva fatal
Em piscar o olho por associar seu
[delirante préstimo de História...

Eu sou o fim disso; e de tudo mais.
Estou ao fio de vosso lamento, sim!
Sou a tormenta do beijo que liberta,
[quando se faz, em prévio ver...

Tenho todas as faces da experiência,
E do tempo que transborda da taça,
Deslizando pelas minhas mãos magras,
[de meu sentimento prostituta...


T.
Sábado, 4 de Outubro de 2008.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Olá, devaneio enamorado do raro...!

Ria-se assim como eu, em braços!
Braços ao ar! Como o sopro raiz
Da flauta quimera, delicadíssima.
E um som todo alheio, apenas som.

É som de tuas pernas a vibrar.
Som de tuas costas delicadas,
Em desatino de descansar, retrair.
Aliar-se o silêncio ao amparo.

Mas que silêncio víbora! Fatal!
Silêncio que me devora, astuto.
Que cante a tua voz, devaneio,
Assim como canta teu pernear;

Eu sou só isso, ódio do vôo.
Do vôo moderno, do vôo antigo.
Do vôo das asas gastas, e novas.
Do vôo amor de felino em veneno.

Do felino que - em qualquer céu;
Eu! Era o meu desatino de ser!
De desconstruir e falsar o mundo.
O meu desatino, e só. Que tens tu?
[Que tens tu com isso, fidalgo?

Suma! Suma de meu vôo anti-vôo.
De meu ser alheio e perdido.
Invadirei-te os olhos e ademais;
Quando furtar-me ao desejo em ser.

Pois que te tocarei o algodão,
Em vezes de ser só um olho teu,
E o outro em mel soar a um verde,
Às gotas da solidão em melindre.

E aí estás tu, personagem facetada.
Num melindre-em-ti que não vês.
Nem te sentes na minha brisa-calma.
Que te avança - segura-te à brasa!

Ah! Zás do solavanco do ser-etílico!
Embriagado, bêbedo, iluminadíssimo
Pela luz em cores de lira vagabunda,
Da vida útil e só útil do todo-qualquer.

E que esvaia ao primeiro trago!
Eu sou todo de cá, do Mundo-Caos.
Sem te saber, sem te sentir;
Sem te tocar os lábios da incógnita.

Tua incógnita desmedida, em pompas.
Na flutuação longa do pavio curto.
No devaneio que é explorar o vil,
Non-sense em teus braços-flautas.

Eu sou a melodia deslizando só.
Só em cada vez - suspiro de tempo.
Da ação-ver do presente lunático,
E aí goteio a perversão da fruta!

Minha fruta-da-rainha-em-Noite,
Dos arbustos infinitos da solidão.
Da onda marítima só eco do avulso.
E dá lá uma ou mais nuvens de fumaça...

A deliberar é deitar-me no Orbe,
Em olhos fechados e pernas esquecidas.
Mãos que Obra, olhos à Mente em fruir,
Cada pedaço que parte do beijo roubado.

Beijo roubado, voz da minha Noite!
Roubado de tua dispersão, e afeto.
Roubado do teu quiçá eterno e perdido.
À flauta que talvez não te seja flauta...


T.
Ao domingo do dez de agosto de 2008.
Às 02h07min.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Solilóquio

Pois que me escutem ao clamar!
Eu, prole da poética esfaimada,
Não sou âmago de arrimo algum.

Nem solicito a aprovação sólida,
Fumada de súbito, sem adorno;
Ao que já é tempo de desandar.

E a sonsice do cultuador alheio,
É demais sonífera; que inércia!
Que demasia rasteira terráquea.

E o bravio destronado e torto,
Sem anjos, nem demônios astutos,
Já é o conjunto anverso ao ser.


T.
Terça-feira, 17 de Junho de 2008.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Babélico IV (Quadro de Poemas)


XIII

Tropel

Lá está a Cidade do Salvador;
Aos deleites de saborosa febre.
Mas ultraje seria o lesco-lesco,
Da já tropelia dos salvos irmãos.

Ainda de chuvas penosas aquém,
De travessuras audazes e vis;
Daquela poética que se desfia,
Excitada em quaisquer transtornos.

T.
17 de Junho, 2008.
Às 16h47min.


XIV

Flâmula

Este é o lábaro dos insultuosos!
Dos Folhetins Negros e apaixonados;
Da virtude negligente e nababesca.
E despejar de toda finada liturgia.

Entre os cúmplices do arcaico vinho;
De papiros aguerridos e crestados,
Há ainda toda labareda de outrora,
Pois antegozo é só, fronte à Escuridão.

T.
17 de Junho de 2008.
Às 17h02min.


XV

Virtude Púrpura

Eu embebo meu frontíspício,
De todo meu cônscio decair;
Há - de todos sabores - cá!
Toda esta policromia ardil.

Não por ser de arcaísmo vil,
Ou de modernismo em decúbito,
Mas da Tribo que é por étimo.

T.
17 de Junho de 2008.
Às 17h12min.


XVI

Esconjuro

A biblioteca dos vulpinos;
Fértil de euforias nocivas,
Em que o derruir estilístico,
Habita, enfim, todo alvorecer.

Convescote de sabores mútuos,
No descair do empeno empírico,
A cada desatino que convidativo.

T.
17 de Junho de 2008.
Às 17h28min.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A sensibilidade morta.

Que esta enzima milenar me possua,
E todos meus planetas involutários,
Aniquile o prazer, meu belo ansiar.

Que me engula noutras mordidas, que
Não uma única desfeita afetuosa. Oh!
Consuma-me os imortais membros vis.

Que me beba, mergulhado ao desprazer
Daquele que mente, mas que num gabo,
Afoito - em Noites mastigadas, enfim.

E nu! Impiedosamente nu! Excitado!
Este viril desgosto que se inunda
Sozinho, ao inane antro não-fugidio.

Estas mãos, então! Num léxico desamante,
Outrora, neste pélago do desapego-mil,
Não voltarão - decerto - deste aconchego?

De que morro eu? Que desaprovo a falta
Destes intermináveis dissabores que
Quase me fogem, esbeltos não-careceres.

Ou assisto àquelas películas rudes,
Duns galhardos - esmerados belos,
Afoito em mim, neste sobejar inócuo?

Unindo-me ao despejar de cabeças,
Trôpegas - que afeição voluptuosa!
Tão confusas - ou mero padecer reles?

Que multiforme sensibilidade fortuita!
Vejo-me sozinho e quase deliciado.
Até esqueço-me de tuas pomposas pernas.

Daquele apego extremo e atemporal,
Enganando mesmo a uns peritos amantes,
Nuns tresloucados ósculos vaidosos.

Sim, anjos e demônios verdes e azuis!
Que esta seja a minha perdição, como
A um amante que já se tenha encantado.

Que este clamor esbelto morra entre
Teus olhos, os que me seduziram,
Minha experimentação poética prima!

Aquele que fora, e que se afluíra!
Que inflamara as vias deste rumo,
Doravante avulso de sensibilidades!

Que pesar o de ser mero entretanto!
Nem frutífero, ainda menos audaz!
Este poetastro que ao piano, apenas.

Quase que a te cantar umas canções,
As canções que apenas dele, vê, orbe?
Tu que ao planeta, eclipsou contudo!

Que este imperfeito bem-querer múltiplo
Seja a prova de minha frivolidade hostil
Que desagua neste mar-solitude, imundo!

Como a percepção doutro onírico Sol,
Curvado à Lua que se estende cálida,
Nesta Noite que me turva o compor.

Afinal, que este descaminhar constante
Desfaleça nestes braços incomunicáveis,
Ao amplexo que é o ante deste amar.



T.
A 06 de março de 2008.

sábado, 1 de março de 2008

Delírios galhardos.

Aqui há o fardo dos fingidores,
Qual aprazer sucinto - ouçam;
Senhoras e senhores! Entretanto,
Desacreditem, ledores parvos,

Que a euforia desvairada deste
Amásio colorido de vulcões,
À astúcia se é mais feroz,
Quando a si, mata e o destrói.

Deveras louva-se a Arte Cosmos,
Sacrifica-se em obras espúrias,
Pela franqueza que é padecer,
A leais dissabores intrínsecos.


T.
Sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Atavios dos desamantes.

Decerto que não mais desfruto
Deste deslizar perene de tuas
Madeixas às minhas peripécias
Inconvenientes e insolentes.

Enfrentava, que consternava,
Os crepúsculos de tuas mãos,
Desinibindo minha derrocada,
Imerso num solão confronte.

Aspergidos - ainda breves;
De entretantos e todavias,
Desordenados e indistintos,
À impecabilidade de sobejar.


T.
Sexta-feira, idos de 29 de fevereiro de 2008.