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sexta-feira, 6 de abril de 2007

Odeio como as palavras saem da minha boca, parecem sujas, corruptas.
Sinto vontade de me jogar do precipício da vida toda vez que abro a boca pra dizer alguma coisa, as palavras são como navalha, cortam a sua voz, sua garganta, te cortam por inteiro. E não machucam só a você, machucam também quem está perto de você, quem tenta te amar. É duro sentir o mundo passar a sua volta, e você estagnado ali, cansado, incapaz de mudar, as vezes até se arranja alguma esperança pra continuar, pra seguir em frente, mas, acaba batendo de cara com uma parede grande e firme. Estou preso num labirinto que parece não ter saidas, com essas paredes fortes e firmes procurando uma saída, uma brecha, por menor que for, mas não tem jeito, estou perdido.
E esse labirinto consome as esperanças nesse processo louco de difusão.





NP: Caetano Veloso @ Trem das Cores.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Você nunca varou
A Duvivier às 5
Nem levou um susto Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida

Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas

Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus

Já frequentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta
No Barbarella às 15 pras 7

Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela

Reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela

Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
Nem quis comer a tua mãe?

Só as mães são felizes...


/do mestre Cazuza

sexta-feira, 23 de março de 2007

Plenitude D'Amour

Desnudos tenores, ternuras desentendidas
Submundo sombrio, sombrio mundo
Mundo-submundo, sombrio subentendido
Ma cherrie,
Glória, horror e descaso
Na escuridão, cegos cantam
Na claridade, mudos enxergam
A felicidade chega a ti.

Sobrecai a queda palpitante
Decai o coração ardente
A tristeza e a sua vontade
A felicidade e a anti-pontualidade
A estrada e uma flor
O jardim das epopéias.

Salientes, carnudos, prazerosos
Um toque de mãos, um fechar de olhos esperançosos
O teu semblante perfeito
Reflete a corrida à tristeza.
Sinceridade ou fraqueza?

A espera eterna (com enfoque do belzebu)
Gélidos olhos, louca perversão
Possibilidade de travessura
A Travessura da possessão
Posse da repreensão.
Repreende minha postura.
Argüindo sobre a depravação.

Um último sorriso, despreende-se como poeira ao chão.

(T.)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Não tente se conter
desse vício que te abraça
desse sol que te esmaga
essa virtude que te tenta.

Não tente me entender
das minhas diversas loucuras
nessas minhas sortidas ternuras
que dilaceram-se entre sentimentos.

Não tente escrever certo
nesse papel que lhes dão errado
nessa poesia em mim perdida
abatida em vãs melodias.

Não tente se viver
com um amor tão reprimido
esse choro tão contido...
em um samba totalmente no escuro.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Carnaval dos Pecados

e, num passeio rotineiro pela noite,
você me encontra caido ao chão.
um bêbado ao léu.
"cara, que jovem perdido!"
isso tudo enche a tua cabeça e você volta para a sua casa de porcelana
para coçar o teu saco feito de ouro.

outro dia, lá está você a caminhar lentamente pela praça e, na escuridão da noite, volta a me encontrar chapado deitado em um banco.
"mas que merda de garoto perdido!"
então você deixa toda essa porcaria de lado
e, novamente, volta para a sua casa linda e arrumada.

semanas depois, ao passear pela cidade
desfilando com suas novas roupas de seda pura,
você me encontra andando acompanhado
de lindas vadias.
"mas que cara porco!"
e, após virar sua cara mais uma vez, você volta para a sua vida
confortável e chata.

não direi para você não se preocupar.
isso porque a cada vez que você me encontrar na rua
eu estarei pior e pior,
na plena decadência da minha espécie.
vivendo rápido e cruamente.
vivendo a minha juventude perdida,
o meu inferno.
e pior a cada dia, eu sobrevivo na sarjeta.
porém, não matenha a sua fé, meu querido.
não pense que um dia você vai rir da minha cara.
porque até lá, já terei vivido o suficiente
para ter morrido de overdose.
overdose da noite.

porque toda essa merda me excita,
e eu gosto dessa minha vida excitante.
eu aproveito cada dia do meu carnaval dos pecados.

(T.)