Experimento-te, complexidade das épocas.
Vivo, pois, numa época vagabunda!
De vielas mais civilizadas, e assaz
Imundas, enlouquecidas, e primatas.
Meu lar à meia-noite numa rua turva.
O privilégio daquela geração larva,
Vem sombrear-se no conselho alheio,
E alucinar lágrimas da deriva fatal
Em piscar o olho por associar seu
[delirante préstimo de História...
Eu sou o fim disso; e de tudo mais.
Estou ao fio de vosso lamento, sim!
Sou a tormenta do beijo que liberta,
[quando se faz, em prévio ver...
Tenho todas as faces da experiência,
E do tempo que transborda da taça,
Deslizando pelas minhas mãos magras,
[de meu sentimento prostituta...
T.
Sábado, 4 de Outubro de 2008.
sábado, 4 de outubro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
Estou namorando
Com as minhas lembranças
Pena é não poder tocá-las,
Como fazem as crianças.
As crianças tocam os seus sonhos
Com brinquedos invisíveis
Riem da verdade mais sóbria
Criam mentiras plausíveis.
Desconfiam do mais puro afago,
Crêem no ladrão da esquina
- roubando seus doces anos.
Namoro com minhas lembranças
Como uma criança que descobre seu sexo
Na mais gostosa das infâncias.
Namorado
Com as minhas lembranças
Pena é não poder tocá-las,
Como fazem as crianças.
As crianças tocam os seus sonhos
Com brinquedos invisíveis
Riem da verdade mais sóbria
Criam mentiras plausíveis.
Desconfiam do mais puro afago,
Crêem no ladrão da esquina
- roubando seus doces anos.
Namoro com minhas lembranças
Como uma criança que descobre seu sexo
Na mais gostosa das infâncias.
Namorado
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Poesia, amiga minha, recorro-te.
Apanha esse revólver e mata a mim
O eu que é menos eu.
O eu que é eu sem mim.
Caneta, mãe de tantas letras,
Fura-me o coração solução.
Deixe apenas a amargura sem lar
Amparada à minha solidão.
Poeta, filisteu, ressuscita-te.
Não deixe que se vá agora
A inspiração de há meia hora.
Poeta, demônio meu,
Não sei o que há
Sob os versos do meu imperar.
Soneto sem nome - post 70
Apanha esse revólver e mata a mim
O eu que é menos eu.
O eu que é eu sem mim.
Caneta, mãe de tantas letras,
Fura-me o coração solução.
Deixe apenas a amargura sem lar
Amparada à minha solidão.
Poeta, filisteu, ressuscita-te.
Não deixe que se vá agora
A inspiração de há meia hora.
Poeta, demônio meu,
Não sei o que há
Sob os versos do meu imperar.
Soneto sem nome - post 70
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Olá, devaneio enamorado do raro...!
Ria-se assim como eu, em braços!
Braços ao ar! Como o sopro raiz
Da flauta quimera, delicadíssima.
E um som todo alheio, apenas som.
É som de tuas pernas a vibrar.
Som de tuas costas delicadas,
Em desatino de descansar, retrair.
Aliar-se o silêncio ao amparo.
Mas que silêncio víbora! Fatal!
Silêncio que me devora, astuto.
Que cante a tua voz, devaneio,
Assim como canta teu pernear;
Eu sou só isso, ódio do vôo.
Do vôo moderno, do vôo antigo.
Do vôo das asas gastas, e novas.
Do vôo amor de felino em veneno.
Do felino que - em qualquer céu;
Eu! Era o meu desatino de ser!
De desconstruir e falsar o mundo.
O meu desatino, e só. Que tens tu?
[Que tens tu com isso, fidalgo?
Suma! Suma de meu vôo anti-vôo.
De meu ser alheio e perdido.
Invadirei-te os olhos e ademais;
Quando furtar-me ao desejo em ser.
Pois que te tocarei o algodão,
Em vezes de ser só um olho teu,
E o outro em mel soar a um verde,
Às gotas da solidão em melindre.
E aí estás tu, personagem facetada.
Num melindre-em-ti que não vês.
Nem te sentes na minha brisa-calma.
Que te avança - segura-te à brasa!
Ah! Zás do solavanco do ser-etílico!
Embriagado, bêbedo, iluminadíssimo
Pela luz em cores de lira vagabunda,
Da vida útil e só útil do todo-qualquer.
E que esvaia ao primeiro trago!
Eu sou todo de cá, do Mundo-Caos.
Sem te saber, sem te sentir;
Sem te tocar os lábios da incógnita.
Tua incógnita desmedida, em pompas.
Na flutuação longa do pavio curto.
No devaneio que é explorar o vil,
Non-sense em teus braços-flautas.
Eu sou a melodia deslizando só.
Só em cada vez - suspiro de tempo.
Da ação-ver do presente lunático,
E aí goteio a perversão da fruta!
Minha fruta-da-rainha-em-Noite,
Dos arbustos infinitos da solidão.
Da onda marítima só eco do avulso.
E dá lá uma ou mais nuvens de fumaça...
A deliberar é deitar-me no Orbe,
Em olhos fechados e pernas esquecidas.
Mãos que Obra, olhos à Mente em fruir,
Cada pedaço que parte do beijo roubado.
Beijo roubado, voz da minha Noite!
Roubado de tua dispersão, e afeto.
Roubado do teu quiçá eterno e perdido.
À flauta que talvez não te seja flauta...
T.
Ao domingo do dez de agosto de 2008.
Às 02h07min.
Ria-se assim como eu, em braços!
Braços ao ar! Como o sopro raiz
Da flauta quimera, delicadíssima.
E um som todo alheio, apenas som.
É som de tuas pernas a vibrar.
Som de tuas costas delicadas,
Em desatino de descansar, retrair.
Aliar-se o silêncio ao amparo.
Mas que silêncio víbora! Fatal!
Silêncio que me devora, astuto.
Que cante a tua voz, devaneio,
Assim como canta teu pernear;
Eu sou só isso, ódio do vôo.
Do vôo moderno, do vôo antigo.
Do vôo das asas gastas, e novas.
Do vôo amor de felino em veneno.
Do felino que - em qualquer céu;
Eu! Era o meu desatino de ser!
De desconstruir e falsar o mundo.
O meu desatino, e só. Que tens tu?
[Que tens tu com isso, fidalgo?
Suma! Suma de meu vôo anti-vôo.
De meu ser alheio e perdido.
Invadirei-te os olhos e ademais;
Quando furtar-me ao desejo em ser.
Pois que te tocarei o algodão,
Em vezes de ser só um olho teu,
E o outro em mel soar a um verde,
Às gotas da solidão em melindre.
E aí estás tu, personagem facetada.
Num melindre-em-ti que não vês.
Nem te sentes na minha brisa-calma.
Que te avança - segura-te à brasa!
Ah! Zás do solavanco do ser-etílico!
Embriagado, bêbedo, iluminadíssimo
Pela luz em cores de lira vagabunda,
Da vida útil e só útil do todo-qualquer.
E que esvaia ao primeiro trago!
Eu sou todo de cá, do Mundo-Caos.
Sem te saber, sem te sentir;
Sem te tocar os lábios da incógnita.
Tua incógnita desmedida, em pompas.
Na flutuação longa do pavio curto.
No devaneio que é explorar o vil,
Non-sense em teus braços-flautas.
Eu sou a melodia deslizando só.
Só em cada vez - suspiro de tempo.
Da ação-ver do presente lunático,
E aí goteio a perversão da fruta!
Minha fruta-da-rainha-em-Noite,
Dos arbustos infinitos da solidão.
Da onda marítima só eco do avulso.
E dá lá uma ou mais nuvens de fumaça...
A deliberar é deitar-me no Orbe,
Em olhos fechados e pernas esquecidas.
Mãos que Obra, olhos à Mente em fruir,
Cada pedaço que parte do beijo roubado.
Beijo roubado, voz da minha Noite!
Roubado de tua dispersão, e afeto.
Roubado do teu quiçá eterno e perdido.
À flauta que talvez não te seja flauta...
T.
Ao domingo do dez de agosto de 2008.
Às 02h07min.
domingo, 3 de agosto de 2008
Aluga-se um coração.
Um coração doente de nascença,
Saudável de doença.
Enjoado de viver,
Louco pelo prazer.
Um coração cansado de política,
Dotado de veia artística.
Com uma aorta etílica
E uma veia sádica.
Um coração assim como os outros,
que bate em ritmo solto.
Desmedido, comedido e remediado.
Junto, solto, agarrado e separado.
Um coração assim bobo e sagaz,
De baixo custo e fugás.
Que duro dure mais alguns anos
Bombeando esse sangue desengano.
E se você quiser locar,
Pode ficar à vontade.
É pegar, levar e ficar.
Depois é morrer de saudade.
Um coração doente de nascença,
Saudável de doença.
Enjoado de viver,
Louco pelo prazer.
Um coração cansado de política,
Dotado de veia artística.
Com uma aorta etílica
E uma veia sádica.
Um coração assim como os outros,
que bate em ritmo solto.
Desmedido, comedido e remediado.
Junto, solto, agarrado e separado.
Um coração assim bobo e sagaz,
De baixo custo e fugás.
Que duro dure mais alguns anos
Bombeando esse sangue desengano.
E se você quiser locar,
Pode ficar à vontade.
É pegar, levar e ficar.
Depois é morrer de saudade.
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