As águas de março afundaram meu riacho
E a quarta-feira de cinzas chegou mais cedo para mim
Quarta-feira triste, sem dó e sem cinzas
Quarta feira triste, feia e sem frutas.
As alegorias passaram distante dos meus sons
E seus sons fugiram absortos de meus pés
Pés ingratos, insensatos pés.
Não agem sobre o mal que fazem à minha tez.
O gingado da morena se esvaiu por seus quadris
Saracoteou suas melenas distante do meu nariz
Que agora só cheira o meu ego flatoso
Excêntrico, magoado, receoso.
Agua'rdente dissipa em meu sangue uma canção natalina
Ai, que época boa. Ôh, que música linda.
Era pra ser de batuque e frevo
Agora é amargor e desespero.
Tô agua'rdando pra quando o carnaval chegar
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Há palavras no pão
E palavras no leite.
Há palavras no chão
E palavras no leito.
Também há palavras no chapéu do padeiro,
Há palavras no ar de pão fresco,
Na filha do padeiro - em seu traseiro
E também dentro do cesto.
Há palavras caindo pela escada
E letras me assustando atrás da janela.
Há uns versos perdidos na vaca malhada
E outros no leite bebido pela banguela.
Há uns termos de merda
E merdas que são termos.
Só não há expressão que não feda,
Como uma palavra que cheira.
A cerca de palavras
E palavras no leite.
Há palavras no chão
E palavras no leito.
Também há palavras no chapéu do padeiro,
Há palavras no ar de pão fresco,
Na filha do padeiro - em seu traseiro
E também dentro do cesto.
Há palavras caindo pela escada
E letras me assustando atrás da janela.
Há uns versos perdidos na vaca malhada
E outros no leite bebido pela banguela.
Há uns termos de merda
E merdas que são termos.
Só não há expressão que não feda,
Como uma palavra que cheira.
A cerca de palavras
sábado, 31 de janeiro de 2009
As doze horas batiam à sua porta.
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Estou triste para a prosa;
Muito feliz para o verso;
A frase sai sempre torta
E o verso como eu não quero.
Estou triste para evangélico;
Muito feliz para católico;
A missa - cheia de mistérios
E o culto - muito simbólico.
Estou triste para tocar;
Muito feliz para cantar;
A nota me erra sempre à garganta
E a corda me fere muito - do dedo - a pança.
Estou triste para sorrir;
Muito feliz para chorar;
A lágrima seca a desabrochar
E o riso... Sabe lá - não quer sair.
Estou triste para amar;
Muito feliz para o amor;
O coração, qual valente,
Sabe que um pobre demente
[não sonha em vão.
A Dubiedade Nostálgica
Muito feliz para o verso;
A frase sai sempre torta
E o verso como eu não quero.
Estou triste para evangélico;
Muito feliz para católico;
A missa - cheia de mistérios
E o culto - muito simbólico.
Estou triste para tocar;
Muito feliz para cantar;
A nota me erra sempre à garganta
E a corda me fere muito - do dedo - a pança.
Estou triste para sorrir;
Muito feliz para chorar;
A lágrima seca a desabrochar
E o riso... Sabe lá - não quer sair.
Estou triste para amar;
Muito feliz para o amor;
O coração, qual valente,
Sabe que um pobre demente
[não sonha em vão.
A Dubiedade Nostálgica
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