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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alguns são felizes com as árvores que plantam.
Outros são apenas sorrisos, medos e desejos.
A verdade é que a dor não mata, mas vive.
E outra verdade é que eu não sei nada.
[mas essa última é desnecessária.

A sorte não é algo que vem pra todos.
Parece-me só ser dos sortudos.
Não sou redundante, não confunda.
Sou apenas mais um amante moribundo.

Não deveria sair, em letras, toda verdade.
Ou a necessidade de um homem que sente.
Mas os dedos roubam ao coração a mácula.
E as palavras desviam o medo que o olhar
[insiste em acidular.

Vivo, então, pelo medo que sinto.
E morro pela dor que sinto.
E amo pela dor da que tenho medo.
E tenho medo do sentir que amo.

Resumem essas palavras, portanto,
toda a simplicidade expressa em alma.
A simplicidade à qual todo esse texto expia:
vivo por que a poesia existe.
[e, por existir, deixo me ser patético.
Pra quê o amor,
se amar é o que vale?
Ocultemo-nos à margem da tristeza
e imploremos ao amante a piedade.

Quando o furor da carícia rompe
o tênue limiar do desejo,
a vida, a morte, o mundo se escondem
por detrás dos panos de fiel ensejo.

Eis que é chegada
- da vida - a hora mais tardia.
Desaparecem todos os prazeres:
do amor à tristeza, do sexo à alegria.

Ao pó não retornamos
quando a doce mão que nos afagava
agora segura a dura alça do caixão
pelo qual um dia todos velamos.

sábado, 10 de outubro de 2009

Meu caro e velho amigo,
As égides do armagedom
pairaram sobre nossas cabeças
fio a fio dos compridos cabelos.

Mas os pés, como em pegadas,
entrelaçaram-se em assaz rastros
e não permitimo-nos a transcedência
a esse algo que se chama banalidade.

Seu ósculo esquecido é o qual lembrado
entre tantos outros ósculos perdidos
que agora tangem a minha tez.
Tempos longíquos de normalidade.

No âmago de tamanha pureza,
a putrefação de carnes alheias.
No serpenteio de minha tristeza,
um coração bate distante.

Se Vênus arrastou-me a si
e concedeu-me a maldição
de tão profunda mágoa,
agora clamo-lhe, irmão
[que aqui termino em ão
[a mácula de mal-sucedida anáfora.