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domingo, 12 de setembro de 2010

A verdade em cabelos, barba e pêlos.
Além daquela escondida na massa cinzenta
sob o crânio nefasto que abriga o infatigável.

domingo, 22 de agosto de 2010

Miserável andarilho
- anda sem rumo na vida,
não carece de espartilho
para tornar real a ferida.

Procura em tudo e em todos
a sobrevivência que lhe é usurpada.
Encontra no fundo do poço
a mais pura amostra de água.

Esconde-se sob os ladrilhos do mundo
e necessita da piedade do céu
para que um deslize, n'um segundo,
torne-lhe de vagabundo a condenado réu.

Mas vive uma vida sadia
- sendo que é tão real com o patrão
quanto com a mais puta vadia,
a dividir, sem remorsos, o pão.

Pior que qualquer um destes é
aquele que vê tão indelicada sina
e, como quem só à própria vida quer,
sem pesar ou pensar - apenas vira à esquina.


Da Impiedade Humana

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ao me ver perseguir-te,
E o fazer com tremores,
Escalda-me a face ao fel
Constrangida de tantos rumores.

De tanto fugires procedes
A um deus desgabador
Que a tua pele fere,
Dando-te curso superior.

E o fazes com tal destreza
Que a minha ninfa princesa
Torna-se monstro usurpador.

Usurpa em ti a beleza d'outrora,
Convertendo-te a uma cotada senhora
Infiel ao nosso curso fundamental
[inferior.


antiquu usurpare
17/11/2007

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Que dirá de mim artista?
Sentado à beira da pista
de carona, pedindo ao desconhecido
para que em meu peito faça seu abrigo.

Que dirá de mim atleta?
Correndo feito pateta
de corpo são e mente mais sã ainda
sem saber onde essa estrada termina.

Que dirá de mim doutor?
Prescrevendo dos outros quem sou,
frequentando asilos d'outros amigos,
diagnosticando a cova que será meu jazigo.

Que dirá de mim poeta?
Escrevendo a dor que se sente
em um coração, relicário demente,
a sina de ser indelicada seta.


Do vazio d'agora

sábado, 5 de junho de 2010

Aqui, o vazio é um presente nosso.
Joguemos pedras nos corpos vãos
que odiamos - amaríamos (se)
anfetaminadamente simbólicos,
sambando na praça pública
e transando a tristeza só.

Ainda contando os segundos de me ver nu.
De me ter no segundo confronto -
De fronte, meu mar de suicídios egóicos:
que prazer, doutor!, dê-me a pílula de um além.

Em mim, está o inferno da cor.
Eu amo qualquer safado filho da puta.
Sou filho disto que te devora,
e meus irmãos de deus custam
a me amar.

Eu é que sou filho da puta. Marginal.
Enquanto houver entretantos,
e as terapias ilegais, sorrisos afeminados,
a maquiagem explícita, a vontade
de gozar numa boca com a boca roxa.

Quero é ouvir gemer. Tremer num ouvido
alheio, sem saber qual a nota frota de mim,
comer pernas quaisquer a ferro e aço,
e baseado no que fumo, fumar todo nu
lá ao meio de teu mar de coxas frouxas.

Doravante, contemporâneos, somos um só.
Somos todos ódio. E conjunto de pernas,
paus, mãos, bocetas, pêlos desgastados;
estuprando o amor, com roupas peles de meninos
que nas esquinas vendem a nossa dor.


T.
05 de junho de 2010.