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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Anáfora

Anáfora.
Ana fora.
Amar fora.
Amar afora.
Amar a forca.
Amor dá força.
Anal à força.
Anal afora.
Anafo rá!
Anáfora.
Ana, a!
Ana.
An?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A minha barriga fala comigo.
Mas eu não escuto, não:
eu sou a fome do mundo,
eu sou o miolo do pão.

As pessoas me olham torto,
mas isto eu compreendo bem:
sou eu, mais bêbedo que tolo,
sou eu quem mais erros tem.

O inferno me rejeita impiedoso
- cá no meu canto, eu sossegado:
já fiz de deus um ser glorioso,
depois o fatiei em mil e um pedaços.

Os narizes ressentem o meu cheiro,
das bocas não satisfaço o paladar:
sou o mais suado dos sertanejos
e o mais salgado dos homens a beijar.


Eu sou dou mau

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O coração ainda pulsa, forte,
sobre a mesa cansada.
Cansada da mesmice dos dias
sob um coração tão abatido.

As pernas ainda correm
sobre o chão pisado e humilhado,
sob os céus quase descrentes
de tanta persistência e ligeireza.

É que o futuro fura o meu peito
- presente. E passa para um
passado indolente, achando
mentira tudo que é lembrança.

E o tempo 'inda reclama
de passar tão lentamente
por entre estes versos
mal acabados de amor
[e de ódio.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Isso 'tá parecendo chá
mas é café.
Isso 'tá parecendo homem
mas é mulher.

Isso 'tá parecendo velho
mas é criança.
Isso 'tá parecendo magro
mas é só pança.

Isso 'tá parecendo vivo
só que tá morto.
Isso 'tá parecendo cansaço
mas é desgosto.

Isso 'tá parecendo alegre
mas é que nada!
Isso 'tá parecendo sóbrio
mas é cachaça.

Isso 'tá parecendo rima
mas é engano.
Isso 'tá parecendo texto
mas desumano.

Isso 'tá parecendo sério
mas é piada.
Isso 'tá parecendo grito
mas tá calada.

Isso 'tá parecendo bomba
só que é tiro.
Isso 'tá parecendo suave
mas é castigo.

Autodicotomia

domingo, 12 de setembro de 2010

A verdade em cabelos, barba e pêlos.
Além daquela escondida na massa cinzenta
sob o crânio nefasto que abriga o infatigável.