Sinto saudades das palavras
que escrevi, que escrevo
e das que ainda hei de escrever
nos vãos eremitérios de minha vida.
A nostalgia das mortes e desmortes
que se fizeram de todas as minhas noites
não acodem à minha alma
nestes momentos nostálgicos.
São mais profundos e sinceros
os meus sacrílegos e pérfidos
elogios aos tempos passados
de minha vida mundana.
São mais intensos e sinceros
os meus momentos de amores
mais mundanos e profanos
de que um marciano se apraz.
São mais superficiais o meu ego,
minhas preces, minhas sutilezas
e minhas fragilidades amorosas
de que podem ver teus olhos.
Não sou esta pele que tocas ou
esta voz diagonal que invade tua mente.
Sou tais dedos que sentes em teus ventres
e nos ventres dos outros teus amores.
sábado, 5 de março de 2011
Perdi-me em teus braços,
em teus abraços,
em teus solstícios
do amor mais vadio.
Perco-me em teus modos
e em tuas maneiras
de me fazer encontrar a mim
no mais fundo de ti.
Perder-me-ei em nossos erros,
em nosso filho
em teu ventre.
Em nossos desamores.
Será bem assim sempre
ao seu lado.
Jamais - em minhas perdições -
poderei encontrar você.
em teus abraços,
em teus solstícios
do amor mais vadio.
Perco-me em teus modos
e em tuas maneiras
de me fazer encontrar a mim
no mais fundo de ti.
Perder-me-ei em nossos erros,
em nosso filho
em teu ventre.
Em nossos desamores.
Será bem assim sempre
ao seu lado.
Jamais - em minhas perdições -
poderei encontrar você.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Elas me comem.
Encontro-me desgastado de todos os gostos
e dos amores e também dos desgostos
da vida de frivolidades contínuas e desarraigada
do sentido abstrato do inumano e do obsesso.
Nestas frígidas linhas de melancólico texto poético,
a prolixidade de todos os eus vividos em uma vida
se esvai por entre as lixeiras literárias e outros
desprazeres da vida corriqueira que é real.
Num coração obscuro, vadio e vendido,
feito prostituta que dá por prazer e por ter
por entre as pernas mais que alguns colhões,
bate a fagulha sincera do amor cardíaco.
Que não se sente como se sentem em novelas,
nem em bancos ou noutros cantos deste mundo.
Que não se senta em prosa c'outros sentimentos
invejosos, ciumentos e possessivos. Irreal.
O amor regurgitado nestas linhas é expressivamente sincero.
Como as gentilezas corriqueiras: inexistentes.
Como a sensibilidade que há em mais terna alma.
Como todas essas palavras. Como bocetas.
Elas me comem.
Encontro-me desgastado de todos os gostos
e dos amores e também dos desgostos
da vida de frivolidades contínuas e desarraigada
do sentido abstrato do inumano e do obsesso.
Nestas frígidas linhas de melancólico texto poético,
a prolixidade de todos os eus vividos em uma vida
se esvai por entre as lixeiras literárias e outros
desprazeres da vida corriqueira que é real.
Num coração obscuro, vadio e vendido,
feito prostituta que dá por prazer e por ter
por entre as pernas mais que alguns colhões,
bate a fagulha sincera do amor cardíaco.
Que não se sente como se sentem em novelas,
nem em bancos ou noutros cantos deste mundo.
Que não se senta em prosa c'outros sentimentos
invejosos, ciumentos e possessivos. Irreal.
O amor regurgitado nestas linhas é expressivamente sincero.
Como as gentilezas corriqueiras: inexistentes.
Como a sensibilidade que há em mais terna alma.
Como todas essas palavras. Como bocetas.
Elas me comem.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Você é meu que eu sei.
Você é o corpo vultoso
que aparece à noite e assombra
aquele medo doloso
de quem, querendo ferir, me arranha.
Você são meus olhos cansados
querendo enxergar a verdade
e meu corpo lutando pesado,
transgredindo a lei da gravidade.
Você é a minha massa cinzenta
que abriga todos os nossos rancores.
É a minha pele preguenta
do suor de tantos nossos desamores.
Mas é mais que tudo só o que sou
- ou talvez isto esteja ao inverso:
eu é que querendo muito estou
me encontrar dentro de ti nesses versos.
Você é o corpo vultoso
que aparece à noite e assombra
aquele medo doloso
de quem, querendo ferir, me arranha.
Você são meus olhos cansados
querendo enxergar a verdade
e meu corpo lutando pesado,
transgredindo a lei da gravidade.
Você é a minha massa cinzenta
que abriga todos os nossos rancores.
É a minha pele preguenta
do suor de tantos nossos desamores.
Mas é mais que tudo só o que sou
- ou talvez isto esteja ao inverso:
eu é que querendo muito estou
me encontrar dentro de ti nesses versos.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Não se sabe do verso o que peço
nem do que se ama o que é.
Se o sentimento extinto se faz regresso
ou se todo samba acaba no pé.
Não se sabe das coisas o início,
'inda muito menos se sabe seu fim.
Se o começo de tudo é só um resquício
d'outro princípio que terminou assim.
Não se sabe das mulheres todo o encanto,
nem todo pranto de quando a noite cai.
Se seu melindre é verdade de santo
ou se sobre a cama todo ele se esvai.
Não se sabe do amor a existência
nem das suas formas a que é mais reta.
Mas se sente no peito a consequência
do torpe amar que inócuo desperta.
Não se sabe de todo poeta a loucura
nem se a poesia, por si, já não é direita.
Mas é de se notar as falhas da moldura
que distingue o quadro são da parede imperfeita.
Não se sabe do rio a verdade das dóceis águas
que desembocam misteriosas no tempestuoso mar.
Apenas que, doce ou salgada, é histérica a mágoa
que pulmões cheios d'água podem aos olhos causar.
Não se sabe destes versos a veracidade
nem mesmo se, de fato, a verdade existe.
Se estas mentiras corrompem seus olhos pela claridade
ou se são as trevas que culminam nesse ponto triste.
Amor Livre,
Recife, 6 de Dezembro de 2010, 23:10h.
nem do que se ama o que é.
Se o sentimento extinto se faz regresso
ou se todo samba acaba no pé.
Não se sabe das coisas o início,
'inda muito menos se sabe seu fim.
Se o começo de tudo é só um resquício
d'outro princípio que terminou assim.
Não se sabe das mulheres todo o encanto,
nem todo pranto de quando a noite cai.
Se seu melindre é verdade de santo
ou se sobre a cama todo ele se esvai.
Não se sabe do amor a existência
nem das suas formas a que é mais reta.
Mas se sente no peito a consequência
do torpe amar que inócuo desperta.
Não se sabe de todo poeta a loucura
nem se a poesia, por si, já não é direita.
Mas é de se notar as falhas da moldura
que distingue o quadro são da parede imperfeita.
Não se sabe do rio a verdade das dóceis águas
que desembocam misteriosas no tempestuoso mar.
Apenas que, doce ou salgada, é histérica a mágoa
que pulmões cheios d'água podem aos olhos causar.
Não se sabe destes versos a veracidade
nem mesmo se, de fato, a verdade existe.
Se estas mentiras corrompem seus olhos pela claridade
ou se são as trevas que culminam nesse ponto triste.
Amor Livre,
Recife, 6 de Dezembro de 2010, 23:10h.
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