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sábado, 12 de março de 2011

Condeno-me pelas horas de ternuras
entre prantos e gozos vividas.
Por todas as tuas carícias mais duras,
por cativares em mim perene ferida.

Condenam-me por a ti amar demais
e a mim amar tão pouco
sem saber que são tão desiguais
os sentimentos e a mente deste louco.

Condenas-me com teus viciosos pruridos
por teu ventre rubro e maculado
que eu tanto tenho amado
que eu tanto tenho comido.

Condena-me a mazela maior de todas
que n'uma de nossas noites escrotas
roubei de teu sangue ignominioso.
'Inda hoje, em língua, sinto teu gosto.

Condenaste-me à morte.

sábado, 5 de março de 2011

Sinto saudades das palavras
que escrevi, que escrevo
e das que ainda hei de escrever
nos vãos eremitérios de minha vida.

A nostalgia das mortes e desmortes
que se fizeram de todas as minhas noites
não acodem à minha alma
nestes momentos nostálgicos.

São mais profundos e sinceros
os meus sacrílegos e pérfidos
elogios aos tempos passados
de minha vida mundana.

São mais intensos e sinceros
os meus momentos de amores
mais mundanos e profanos
de que um marciano se apraz.

São mais superficiais o meu ego,
minhas preces, minhas sutilezas
e minhas fragilidades amorosas
de que podem ver teus olhos.

Não sou esta pele que tocas ou
esta voz diagonal que invade tua mente.
Sou tais dedos que sentes em teus ventres
e nos ventres dos outros teus amores.
Perdi-me em teus braços,
em teus abraços,
em teus solstícios
do amor mais vadio.

Perco-me em teus modos
e em tuas maneiras
de me fazer encontrar a mim
no mais fundo de ti.

Perder-me-ei em nossos erros,
em nosso filho
em teu ventre.
Em nossos desamores.

Será bem assim sempre
ao seu lado.
Jamais - em minhas perdições -
poderei encontrar você.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Elas me comem.

Encontro-me desgastado de todos os gostos
e dos amores e também dos desgostos
da vida de frivolidades contínuas e desarraigada
do sentido abstrato do inumano e do obsesso.

Nestas frígidas linhas de melancólico texto poético,
a prolixidade de todos os eus vividos em uma vida
se esvai por entre as lixeiras literárias e outros
desprazeres da vida corriqueira que é real.

Num coração obscuro, vadio e vendido,
feito prostituta que dá por prazer e por ter
por entre as pernas mais que alguns colhões,
bate a fagulha sincera do amor cardíaco.

Que não se sente como se sentem em novelas,
nem em bancos ou noutros cantos deste mundo.
Que não se senta em prosa c'outros sentimentos
invejosos, ciumentos e possessivos. Irreal.

O amor regurgitado nestas linhas é expressivamente sincero.
Como as gentilezas corriqueiras: inexistentes.
Como a sensibilidade que há em mais terna alma.
Como todas essas palavras. Como bocetas.
Elas me comem.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Você é meu que eu sei.

Você é o corpo vultoso
que aparece à noite e assombra
aquele medo doloso
de quem, querendo ferir, me arranha.

Você são meus olhos cansados
querendo enxergar a verdade
e meu corpo lutando pesado,
transgredindo a lei da gravidade.

Você é a minha massa cinzenta
que abriga todos os nossos rancores.
É a minha pele preguenta
do suor de tantos nossos desamores.

Mas é mais que tudo só o que sou
- ou talvez isto esteja ao inverso:
eu é que querendo muito estou
me encontrar dentro de ti nesses versos.