quarta-feira, 25 de julho de 2012
Se o ópio durasse tanto
quanto dura a sobriedade
não seria eterna a tristeza
seria mais tenra a saudade
Que o amor é o logro do povo
e é também de todo o agouro
que agonia as almas amantes
quando é chegado o sóbrio instante
Que o amar é drogar-se
envenenar-se
contaminar-se
condenar-se
Se à mente - e ao resto de todo o corpo
açoita - a duras mágoas -
o tal sentimento interrompido
antes que se tenha um outro castigo
[mais letal
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Brindemos!
À felicidade da raça
e para infelicidade de todas as mães
as glórias todas obtidas hoje
que brindaremos à noite com os cães.
Saltemos por nossos pés
pelos salões afora
que nem só de deus são dignas
todas as honras, os louvores e as glórias.
Também pertencem aos homens
- raça de benigna força!
Que a suas mulheres trepam e semeiam
- quer elas queiram ou seja à força:
do estratagema
da fama
da lábia
da grana.
Hoje Não é Sexta-Feira
À felicidade da raça
e para infelicidade de todas as mães
as glórias todas obtidas hoje
que brindaremos à noite com os cães.
Saltemos por nossos pés
pelos salões afora
que nem só de deus são dignas
todas as honras, os louvores e as glórias.
Também pertencem aos homens
- raça de benigna força!
Que a suas mulheres trepam e semeiam
- quer elas queiram ou seja à força:
do estratagema
da fama
da lábia
da grana.
Hoje Não é Sexta-Feira
domingo, 15 de abril de 2012
Há muito não escrevo.
Nessas luas de decadência ignóbil
em que a vida parece tão importante
eu me perco.
Perco os sentido de outrora
- tão aprazíveis e regozijantes.
Perco a gramática, a sintaxe das coisas.
Perco-me até na grafia das palavras.
Não sou eu mais o mesmo
- quimera se ainda o fosse.
Sou outro muito mudado
- sem verbo, sem faca, sem foice.
Até as antigas rimas se foram
nos ventos sórdidos de mundana vida
que peleja, realiza e se engrandece
mas não faz o que mais a agradaria:
não escreve.
Nessas luas de decadência ignóbil
em que a vida parece tão importante
eu me perco.
Perco os sentido de outrora
- tão aprazíveis e regozijantes.
Perco a gramática, a sintaxe das coisas.
Perco-me até na grafia das palavras.
Não sou eu mais o mesmo
- quimera se ainda o fosse.
Sou outro muito mudado
- sem verbo, sem faca, sem foice.
Até as antigas rimas se foram
nos ventos sórdidos de mundana vida
que peleja, realiza e se engrandece
mas não faz o que mais a agradaria:
não escreve.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
É preciso ter pressa
pra correr até as colinas
e não tropeçar na esquina
nem na língua da vizinha.
É preciso não tardar a chegar
à idade dos sábios homens
em que só a mais torpe ideia
pode persuadir-lhe ao engano.
É preciso acertar sempre
e fugir do erro a qualquer custo
é tão preciso quanto todas
as errôneas necessidades.
Só não é preciso o beijo
- navegação de duas línguas alheias
pelos mares salivares das almas
que velejam torpemente.
Não é precisa a caridade
da doação pelo simples ato
e pelo simples e tenro fato
de a boa ação ser em troca de nada.
Não é preciso o sentimento
que nos confunde e nos embriaga
- transformando até o mais sensato momento
em mais um tresvario da alma.
Eu Preciso
pra correr até as colinas
e não tropeçar na esquina
nem na língua da vizinha.
É preciso não tardar a chegar
à idade dos sábios homens
em que só a mais torpe ideia
pode persuadir-lhe ao engano.
É preciso acertar sempre
e fugir do erro a qualquer custo
é tão preciso quanto todas
as errôneas necessidades.
Só não é preciso o beijo
- navegação de duas línguas alheias
pelos mares salivares das almas
que velejam torpemente.
Não é precisa a caridade
da doação pelo simples ato
e pelo simples e tenro fato
de a boa ação ser em troca de nada.
Não é preciso o sentimento
que nos confunde e nos embriaga
- transformando até o mais sensato momento
em mais um tresvario da alma.
Eu Preciso
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Quem vê a letra não pensa
que o que se sente é o que se lê
e também sempre se esquece
do que se esqueceu de antever.
Não é possível entender o mundo
- escrito, falado ou tocado.
O esforço é sempre suburbano
diante do limbo que se tem alçado.
Mas as inteligíveis sensações nem sempre
compensam a mente daquilo que se pensa
que se entende quando se quer e se esconde
no braço jazido de um qualquer.
Por que o mais valioso de tudo que há
está escondido por entre as entrelinhas
e a verdade mais oculta que existe
está exposta às mais cegas vistas.
As Nossas
que o que se sente é o que se lê
e também sempre se esquece
do que se esqueceu de antever.
Não é possível entender o mundo
- escrito, falado ou tocado.
O esforço é sempre suburbano
diante do limbo que se tem alçado.
Mas as inteligíveis sensações nem sempre
compensam a mente daquilo que se pensa
que se entende quando se quer e se esconde
no braço jazido de um qualquer.
Por que o mais valioso de tudo que há
está escondido por entre as entrelinhas
e a verdade mais oculta que existe
está exposta às mais cegas vistas.
As Nossas
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