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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Depois do dia, a noite.
A noite depois do dia
transforma as cores, o brilho
e a consciência adia.

Mais meia hora
mais meio morta
vai-se assim tornando concreta
a ideia que a mente excreta

nos pulsos, nos pescoços nas veias
nas velhas e cansadas pupilas dilatadas
que não retêm mais o êxtase
-- só a ressaca.

Depois da noite, o dia
até que a verdade nos separe
do disperso e secreto mundo das ideias
e nos leve de vez ao vazio.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A lua cai
das luzes ao meio
arrebenta a bossa nova
e eu serpenteio
por entre essa fossa
que se esvai
em largas doses.

Do cetim, do léu,
do prazenteiro
amigo rude, infiel,
eu sou alheio.

A tecnologia toda abduz
qualquer traço de insegurança
que seduz
belas damas
formosas damas
em versos de inspiração
que traz o drama.

Não sou mais eu que faço
a pura rima
- é o ferro, é a dor, é o aço
é a serpentina
estrada torpe por que caminha
um bêbado em noite enluarada
[ de Petrolina.

domingo, 15 de setembro de 2013

Existem letras lindas
e palavras mais belas ainda
quando escritas a duras penas
que enfeitam à alma o poema.

Existem versos cheios de rimas,
estrofes de beleza mais pura e mais fina
quais quando cantadas de toda a graça
ecoa pelos ares, erva boa.

Alexandrinos, sonetos e liras.
Metrificados, espaçados e impecáveis.
Embaralhados, confusos e contundentes.

Qualquer verso, qualquer rima,
qualquer estrofe de qualquer cantoria
é sem ela


Qualquer Poesia

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O que será que ele pensa
ao me ver feliz assim?
Será sincero o contentamento
ou morre de ciúmes de mim?

Quem será que ele vê
ao me ver assim tão bela?
A mesma que esteve em sua cama
ou não sou mais, eu, aquela?

O que será que sente
um coração tão cruel e rude?
Palpitará ainda seu peito
ou só o meu é que se ilude?

Se houvessem ainda as horas
e houvesse também o outro caminho
buscaria o aconchego em meu seio
ou viveria esta dúvida sozinho?


Dúvida de Mim

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Madrugada aflita
a terra grita
avisto os gritos
de guerra frita

os falos fritos
na madrugada
enluarada
sem sol, sem brava

aos berros ligos
sem mais alistos
meus sujos grilos
em seus mamilos

sem mais nem meio
no cerebelo
n'alma do cabelo
por ser pentelho

não sei q'é isso
sem presunto misto
será que é xisto
q'agora insisto?