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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Versos Inacabados II

Você está diferente
ou fui eu quem mudou?
Talvez tu ainda sejas a mesma
e eu é que o mesmo já não sou.

Cansei-me das mal ditas palavras
e dos meus mal lidos versos.

Versos Inacabados

Cansei de amar contido no verso
e de para ti exprimir este verbo.

Já não quero teus carinhos
e teus encantos deixo acabados.

Que o paraíso de te ter comigo
só durou o tempo da culpa de um pecado.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Teu descaso no meu peito
é rio que seca devagar
é chuva que veio pra levar
o que restou no meu coração

entre tantos sorrisos
e tanto abraços
sem nada, sem mágoa
fica apenas o gosto do pecado

que foi ter te amado
e de você a mim
ter tanto se dado

que foi ter passado pela vida
como quem não sente a ferida
de tantos ânus rebentados.


Uma reflexão póstuma sobre os amores que se esvaem

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Nem sei mais por onde ando
que dirá por onde andas tu
Quantas vezes já passei por morrer
quantas hás de ter passado também
Mas se não nos leva a morte
talvez o destino o faça
e nos conduza novamente
um ao encontro do outro
Nem que não seja pra beber aquela velha cachaça
que já não bebo
Nem que não seja pra dar aqueles bons tragos doutrora
Mesmo que seja só pra nos entreolharmos
e
─ sem cruzar os caminhos nem diminuir o passo ─
seguir em frente de volta ao caminho da vida.

domingo, 24 de novembro de 2013

Sou eu me escondendo na calada da noite
da noite calada,
aflita e vadia.

Sou eu evitando os seres humanos
menos as bocetas
-- que são as mais inumanas
[partes.

Sou eu escorrendo pelos ecos
mas não há ecos nem nada
nem silêncio.

São os animais correndo a todo o vapor:
fodendo, matando-se e sendo felizes
enquanto há um céu e olhos para ele.

São os mesmos erros, os mesmos acertos
e a mesma volta para tudo aquilo
que não se há de -- nem se quer -- escrever.

Mas não é nada.
Não são nada
nem sou nada.
Só soo.