terça-feira, 26 de junho de 2007
Filho: torne-se poeta.
Aprenda a desconhecer
o Universo e o Amor.
E sentir.
[dor e prazer]
Esgueirar-se em contradições
Respirar paradoxos
Construir inflexões
E destruir paradigmas
Alucinar-se em ódio
E regozijar-se em amor
Provar da mais condoída amargura
E da mais terna delicadeza
[e não apenas os guardar no escrínio]
Gritar, uivar, gemer
De vontade - TODAS
De tentação - QUAISQUER
De desejo - INTEIRAMENTE
Sem restrição à entrega
Deliciar-se de toques
Mãos, dedos, lábios
Por um único instante: únicos
Prováveis causadores da minha embriaguez
E de meus olhos calados.
Sensações inebriantes
Que me fazem morrer enquanto amo
Falecer em teus braços
Envolto em tua ternura.
Obter, de tal forma,
Aptidão de chorar e sorrir
Demasiado contente, assim como triste,
Em subsequente horror e amor.
Transmutando-se em sentimentos.
O preço dessa sensibilidade, porém,
Em meio aos jardins do exótico
E aos mares do inefável...
É absolutamente inerente à solidão.
(T.)
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Sua voz se perde entre a de mulher e a de um homem
A humanidade parece seduzida por seu andar
Seus olhos infiltram-se e encantam a todos
E suas mãos parecem flores
Sua sensualidade me prende
Meus desejos se confundem com seu corpo
E na luz breve da matina
Meus olhos se abrem em frente aos seus
As noites parecem sumir nos corredores desse prazer
As portas se abrem a cada passo
As dúvidas salientam minha confusão
E fazem brotar a desilusão aos meus conceitos
Minha boca cede ao seu toque
Seus dedos deslizam como as nuvens
Que acariciam a lua nessa noite fria
E a vontade de me agarrar a esse desejo aumenta
Meu corpo quente que clama pelo seu toque
Novamente - a luz anuncia o sol que chega
E nos encontramos dominados outra vez
Pela tentação das nossas dúvidas
Filho da terra, do sol, da lua
Um céu de estrelas negras, sombrias
Cores que brotam na face de anjo
Indefinida - infinita - proibida
(T.)
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Les nuages...
E aqui há um todo palpitante coração
Serpentes que se enroscam
Raízes do egoísmo que brotam
E a nuance do ódio que não se esgota
Uma dúvida no semblante?
A que deus amas, a que diabo serves?
A que fé desvencilhas? A que tom gritais?
Que palavras soam infâmes?
Caído repousando e encantado
Permaneces deitado ante a decadência
Gritai, levantai, ouvi minhas palavras
Tentai permanecer involutário às emoções
Embriaga-te da noite, bebe da lua
Pela face que resplandece na brisa
Senti o veneno dos meus lábios
E não tenhais medo do taciturno lado da noite.
Les nuages... J'aime les nuages.
(T.)
terça-feira, 1 de maio de 2007
Perdura o momento de tocar-te a pele
Saboreando as curvas do teu corpo
Delineando lentamente com meus dedos
A vontade de saciar minha perversão
Compenetrado em desejos
Perplexo ante a serpente intrépida
Alisando-te e urgindo em movimentos undosos
Adentrando teu sexo
Exonerando-me - Insensato
Minhas pálpebras fecham-se silenciosas
Enquanto meus membros laceram com ferocidade
E o sangue brota em escarros
Simuladamente e involutariamente
Suas mãos trêmulas e frias
Transmitem a morte de sua pureza
Ao tocar-se com irrefutável repugnância
Luto à náusea de ser humano
À pose que se retalha e dilacera em prazer
E ódio - E mentira
Minha luxúria - A sua mortalha
(T.)
terça-feira, 17 de abril de 2007
Quem sabe o que é?
Eu fico com a rudeza do sinal das catedrais.
É a vida, é cândida e é doída.
Viver é não ter vergonha de errar outra vez.
Cantar, desafinar e tombar.
Sem ter na mente o infortúnio do que um dia você fez.
Eu sei que eu não sei.
Que o erro que passou pode amanhã piorar.
Eu só quero que você não reflita.
É a vida, é cândida e é doída.
Mas e o amanhã?
Quando ele vier vai machucar ou não?
Vai ferir a ferro o seu coração?
Vai deixar uma mágoa sem perdão?
Mas e a morte?
Virá de uma vez só deixando lamento?
Ou será a plenitude de um céu barulhento?
Só ver para crer, meu irmão!
Há quem não sinta ferida ardente.
Que espairece um mundo.
Num gesto, num ato.
Que nem dura um segundo.
Há quem sinta e ainda minta.
Mistério profundo.
É o sonho do pensador.
Numa felicidade cheia de dor.
Palavras não dizem o que querem dizer.
Atitudes não revelam o que querem fazer.
O poema reflete o que não querem saber,
Por que viver não é tudo.
E o resto é sofrer.
Eu só vivo o que vejo e o que sou.
E no que sou não ponho a força da fé.
É a vida que faz o que somos.
Como der ou puder ou quiser.