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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Atavios dos desamantes.

Decerto que não mais desfruto
Deste deslizar perene de tuas
Madeixas às minhas peripécias
Inconvenientes e insolentes.

Enfrentava, que consternava,
Os crepúsculos de tuas mãos,
Desinibindo minha derrocada,
Imerso num solão confronte.

Aspergidos - ainda breves;
De entretantos e todavias,
Desordenados e indistintos,
À impecabilidade de sobejar.


T.
Sexta-feira, idos de 29 de fevereiro de 2008.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A que pecado expia,
Agora, minh'alma.
Que'm noite quente ou fria
Sofre calada.

A que dor se flagela
Dentre tantas outras
- tristezas minhas e delas
Servidas à manjedoura.

A que amor se desfaz
A cada pensar insone
Que - eternamente fugaz
- dorme, sem nome.

A que janela se esconde
A buscar n'outro lado conforto
Sem saber matar sua fome
Desse mundo de funesto desgosto.

Gratia I

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Afeado diletante

Fustigava-me, a tal petulante concubina azulada.
Florida, ungia-me em amores à abóboda celeste.
Mortifica-me ainda cá, nuns versos que acientes.

Idolatrado autor! Comparsa de si, o sôfrego amásio.
Ciente de mentir e afluir a um oceano de apatias vis,
Uma enumeração ríspida dos objetos de sensaborias.

Afagos aos instigados e mendazes versos, finados
Aos trejeitos - aniquilados - que uns pormenores
Quais confins dum só querer, o ermo do poetastro.


T.
Quinta-feira, idos de 27 de dezembro de 2007.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Miasma

Aos almoços dum corriqueiro dia-a-dia,
E à tal cova que familiar, de um torpor
Hipocondríaco, álgidos tremores esvaíam
Por um hímen atar na Arte do libertino.

Prepotente, ostentoso, insalubre e vil,
Um inopinado transparecer fúlgido de
Amour, tranvestindo as vestes púrpuras
Dum crepuscular credo na Arte cósmica.

Aquele mesmo alóctone, um mal-criado,
Retorquiu à madre - num ardil supor;
Do amor: ínfimo, mero em cretinice.
Esbelto florescer insólito, tão vero!

A progenitora? Materno carecer tenaz
Que o extenuava a ceder-se ante tudo,
Ventre de um exigir, dantes previsto,
Um amor prognosticado: efêmero afeto.


T. (06/12/2007 - 17h07min)

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vasa-me agora,
tenebrosa flâmula da desconjuntura do meu ser.
Transborda-me sem hora
de findar em mim tudo isso que me faz parecer.

Vai-me agora,
o coração à espreita d'um tênue pesar.
Vem-me sem demora
à minha mente a expressão luxuriosa de todo o amar.

Entornam-me a mim,
os antigos, dantescos versos.
Esvaem-se em fim,
num mar de piegas e desafinados retrocessos.