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domingo, 11 de maio de 2008

Adeus, amigo prévio

A mão morta que, ufana,
Apedreja a minh'alma
Diz-me eloqüente, sem drama,
"Tua hora 'inda não tarda".

Cresce, burgo, sob poder de deuses,
Esmigalhando todos os sonhos ateus
De um burguês incrédulo desses.
Qual eu, debate-se d'entre filisteus.

Não há mais - não há
Idílio em teu enredo teatral
A não ser aquele surreal
Que se afoga, perdido, ao mar.

Não há mais - não há
Esperança morta bem-vinda,
Mesmo ainda que divina
Dentro de uma burguesa sala-de-estar.

Não há mais cancro ignóbil que não doa
Dentro d'alma de um a toa
Que nem a um deus ateu perdoa.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A sensibilidade morta.

Que esta enzima milenar me possua,
E todos meus planetas involutários,
Aniquile o prazer, meu belo ansiar.

Que me engula noutras mordidas, que
Não uma única desfeita afetuosa. Oh!
Consuma-me os imortais membros vis.

Que me beba, mergulhado ao desprazer
Daquele que mente, mas que num gabo,
Afoito - em Noites mastigadas, enfim.

E nu! Impiedosamente nu! Excitado!
Este viril desgosto que se inunda
Sozinho, ao inane antro não-fugidio.

Estas mãos, então! Num léxico desamante,
Outrora, neste pélago do desapego-mil,
Não voltarão - decerto - deste aconchego?

De que morro eu? Que desaprovo a falta
Destes intermináveis dissabores que
Quase me fogem, esbeltos não-careceres.

Ou assisto àquelas películas rudes,
Duns galhardos - esmerados belos,
Afoito em mim, neste sobejar inócuo?

Unindo-me ao despejar de cabeças,
Trôpegas - que afeição voluptuosa!
Tão confusas - ou mero padecer reles?

Que multiforme sensibilidade fortuita!
Vejo-me sozinho e quase deliciado.
Até esqueço-me de tuas pomposas pernas.

Daquele apego extremo e atemporal,
Enganando mesmo a uns peritos amantes,
Nuns tresloucados ósculos vaidosos.

Sim, anjos e demônios verdes e azuis!
Que esta seja a minha perdição, como
A um amante que já se tenha encantado.

Que este clamor esbelto morra entre
Teus olhos, os que me seduziram,
Minha experimentação poética prima!

Aquele que fora, e que se afluíra!
Que inflamara as vias deste rumo,
Doravante avulso de sensibilidades!

Que pesar o de ser mero entretanto!
Nem frutífero, ainda menos audaz!
Este poetastro que ao piano, apenas.

Quase que a te cantar umas canções,
As canções que apenas dele, vê, orbe?
Tu que ao planeta, eclipsou contudo!

Que este imperfeito bem-querer múltiplo
Seja a prova de minha frivolidade hostil
Que desagua neste mar-solitude, imundo!

Como a percepção doutro onírico Sol,
Curvado à Lua que se estende cálida,
Nesta Noite que me turva o compor.

Afinal, que este descaminhar constante
Desfaleça nestes braços incomunicáveis,
Ao amplexo que é o ante deste amar.



T.
A 06 de março de 2008.

sábado, 1 de março de 2008

Delírios galhardos.

Aqui há o fardo dos fingidores,
Qual aprazer sucinto - ouçam;
Senhoras e senhores! Entretanto,
Desacreditem, ledores parvos,

Que a euforia desvairada deste
Amásio colorido de vulcões,
À astúcia se é mais feroz,
Quando a si, mata e o destrói.

Deveras louva-se a Arte Cosmos,
Sacrifica-se em obras espúrias,
Pela franqueza que é padecer,
A leais dissabores intrínsecos.


T.
Sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Atavios dos desamantes.

Decerto que não mais desfruto
Deste deslizar perene de tuas
Madeixas às minhas peripécias
Inconvenientes e insolentes.

Enfrentava, que consternava,
Os crepúsculos de tuas mãos,
Desinibindo minha derrocada,
Imerso num solão confronte.

Aspergidos - ainda breves;
De entretantos e todavias,
Desordenados e indistintos,
À impecabilidade de sobejar.


T.
Sexta-feira, idos de 29 de fevereiro de 2008.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A que pecado expia,
Agora, minh'alma.
Que'm noite quente ou fria
Sofre calada.

A que dor se flagela
Dentre tantas outras
- tristezas minhas e delas
Servidas à manjedoura.

A que amor se desfaz
A cada pensar insone
Que - eternamente fugaz
- dorme, sem nome.

A que janela se esconde
A buscar n'outro lado conforto
Sem saber matar sua fome
Desse mundo de funesto desgosto.

Gratia I