Não se sabe do verso o que peço
nem do que se ama o que é.
Se o sentimento extinto se faz regresso
ou se todo samba acaba no pé.
Não se sabe das coisas o início,
'inda muito menos se sabe seu fim.
Se o começo de tudo é só um resquício
d'outro princípio que terminou assim.
Não se sabe das mulheres todo o encanto,
nem todo pranto de quando a noite cai.
Se seu melindre é verdade de santo
ou se sobre a cama todo ele se esvai.
Não se sabe do amor a existência
nem das suas formas a que é mais reta.
Mas se sente no peito a consequência
do torpe amar que inócuo desperta.
Não se sabe de todo poeta a loucura
nem se a poesia, por si, já não é direita.
Mas é de se notar as falhas da moldura
que distingue o quadro são da parede imperfeita.
Não se sabe do rio a verdade das dóceis águas
que desembocam misteriosas no tempestuoso mar.
Apenas que, doce ou salgada, é histérica a mágoa
que pulmões cheios d'água podem aos olhos causar.
Não se sabe destes versos a veracidade
nem mesmo se, de fato, a verdade existe.
Se estas mentiras corrompem seus olhos pela claridade
ou se são as trevas que culminam nesse ponto triste.
Amor Livre,
Recife, 6 de Dezembro de 2010, 23:10h.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Meu coração sangrando todo o meu corpo
e no peito o gosto amargo do desgosto.
Da esperança que sai de mim e acaba nos outros
tantos rostos que assolam desejos tão pueris.
À toa, não sabem de minhas necessidades.
Que preciso dos ares arredios femininos
e seus mais barulhentos sussurros e silêncios
que, de tão lascivos e castos, são plurais.
Que preciso da bebida dos bares e dos ébrios
pensamentos solitários que me socorrem do nada.
Socorrem-me da falta de estímulos sonoros
e da falta das outras coisas de que careço.
Do silêncio, do abraço, do beijo.
Do silêncio do abraço do beijo
quando tudo de mais lindo que há
está escondido por entre estas palavras.
Brincando comigo do jogo da vida e da morte
feito uma criança traquina a brincar com revólver.
Mas não dispara, acertando-lhe o frágil crânio.
Não nos priva de tanta e toda a sua beleza.
Feito esta criança levada que rodopia
nas deformidades da margem direita
deste texto que a cria do nada,
deste desejo que a minha alma deseja.
e no peito o gosto amargo do desgosto.
Da esperança que sai de mim e acaba nos outros
tantos rostos que assolam desejos tão pueris.
À toa, não sabem de minhas necessidades.
Que preciso dos ares arredios femininos
e seus mais barulhentos sussurros e silêncios
que, de tão lascivos e castos, são plurais.
Que preciso da bebida dos bares e dos ébrios
pensamentos solitários que me socorrem do nada.
Socorrem-me da falta de estímulos sonoros
e da falta das outras coisas de que careço.
Do silêncio, do abraço, do beijo.
Do silêncio do abraço do beijo
quando tudo de mais lindo que há
está escondido por entre estas palavras.
Brincando comigo do jogo da vida e da morte
feito uma criança traquina a brincar com revólver.
Mas não dispara, acertando-lhe o frágil crânio.
Não nos priva de tanta e toda a sua beleza.
Feito esta criança levada que rodopia
nas deformidades da margem direita
deste texto que a cria do nada,
deste desejo que a minha alma deseja.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Benditos sejam aqueles
que delegam aos céus
os seus mais torpes atos.
Glorificado seja o nome
de quem mente tão bem
que descrê da própria verdade.
Santificadas sejam as mulheres
da vida das avenidas e das esquinas
pois têm em seu galardão
a hoste das impurezas terrenas.
Livrado seja o altíssimo
de atender a todas as súplicas
e renegar a nós os vícios
de nossas mais puras iniquidades.
que delegam aos céus
os seus mais torpes atos.
Glorificado seja o nome
de quem mente tão bem
que descrê da própria verdade.
Santificadas sejam as mulheres
da vida das avenidas e das esquinas
pois têm em seu galardão
a hoste das impurezas terrenas.
Livrado seja o altíssimo
de atender a todas as súplicas
e renegar a nós os vícios
de nossas mais puras iniquidades.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Se eu pudesse apenas um pedacinho da pele dessa mulher
mesmo que fosse pela brecha
do meu mais volúvel pensamento.
Se eu pudesse uma porçãozinha das douradas madeixas
que desfilam pelo invisível vento
sem nem tocar as minhas queixas.
Se eu pudesse seus olhos, seus lábios e sua voz macia.
Ou mesmo o seu cruzar de pernas
que meu olhar tanto acaricia.
Se eu pudesse tê-la e amá-la, fazê-la possuída e amada
nunca seria escrita esta dura palavra:
quimera! - que na língua do meu desejo amarga.
mesmo que fosse pela brecha
do meu mais volúvel pensamento.
Se eu pudesse uma porçãozinha das douradas madeixas
que desfilam pelo invisível vento
sem nem tocar as minhas queixas.
Se eu pudesse seus olhos, seus lábios e sua voz macia.
Ou mesmo o seu cruzar de pernas
que meu olhar tanto acaricia.
Se eu pudesse tê-la e amá-la, fazê-la possuída e amada
nunca seria escrita esta dura palavra:
quimera! - que na língua do meu desejo amarga.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
O mundo não liga para as suas dores.
Supere-as e vença.
Ou sofra-as todas e seja derrotado.
Derrotado pelo mundo.
Por este mesmo mundo que te cerca
com tantos sorrisos e boas educações.
Por este mesmo mundo que te come
e joga os ossos aos ladrões.
Aos ladrões famintos que têm fome de tudo
que habitam seu terreno, habitam seu terreiro,
habitam seu interior e habitam todo o resto
deste mundo desmundo.
Não é preciso sorrir, nem sentir alegria
- saiba, seu jovem e cretino inumano.
É preciso ser pisoteado pelos sete céus,
sacaneado por deus e pelo diabo.
Imprescinde se sentir sujo e mal cheiroso,
coberto de tudo que há de mais podre até o pescoço,
mendigando esta mesma esmola arredia
pela qual nos maltratamos e nos desamamos, dia a dia.
Indispensável é fingir que gosta de ser esmurrado
ter os dentes todos da boca arrancados
e o nariz partido em dois, quebrado.
Só assim para se sentir deste mundo.
Deste mundo que te quer como um ladrão,
roendo as migalhas que o deus rico joga ao chão
que são os restos de quem não se rendeu
às duras penas da lei terráquea.
Supere-as e vença.
Ou sofra-as todas e seja derrotado.
Derrotado pelo mundo.
Por este mesmo mundo que te cerca
com tantos sorrisos e boas educações.
Por este mesmo mundo que te come
e joga os ossos aos ladrões.
Aos ladrões famintos que têm fome de tudo
que habitam seu terreno, habitam seu terreiro,
habitam seu interior e habitam todo o resto
deste mundo desmundo.
Não é preciso sorrir, nem sentir alegria
- saiba, seu jovem e cretino inumano.
É preciso ser pisoteado pelos sete céus,
sacaneado por deus e pelo diabo.
Imprescinde se sentir sujo e mal cheiroso,
coberto de tudo que há de mais podre até o pescoço,
mendigando esta mesma esmola arredia
pela qual nos maltratamos e nos desamamos, dia a dia.
Indispensável é fingir que gosta de ser esmurrado
ter os dentes todos da boca arrancados
e o nariz partido em dois, quebrado.
Só assim para se sentir deste mundo.
Deste mundo que te quer como um ladrão,
roendo as migalhas que o deus rico joga ao chão
que são os restos de quem não se rendeu
às duras penas da lei terráquea.
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