Você é meu que eu sei.
Você é o corpo vultoso
que aparece à noite e assombra
aquele medo doloso
de quem, querendo ferir, me arranha.
Você são meus olhos cansados
querendo enxergar a verdade
e meu corpo lutando pesado,
transgredindo a lei da gravidade.
Você é a minha massa cinzenta
que abriga todos os nossos rancores.
É a minha pele preguenta
do suor de tantos nossos desamores.
Mas é mais que tudo só o que sou
- ou talvez isto esteja ao inverso:
eu é que querendo muito estou
me encontrar dentro de ti nesses versos.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Não se sabe do verso o que peço
nem do que se ama o que é.
Se o sentimento extinto se faz regresso
ou se todo samba acaba no pé.
Não se sabe das coisas o início,
'inda muito menos se sabe seu fim.
Se o começo de tudo é só um resquício
d'outro princípio que terminou assim.
Não se sabe das mulheres todo o encanto,
nem todo pranto de quando a noite cai.
Se seu melindre é verdade de santo
ou se sobre a cama todo ele se esvai.
Não se sabe do amor a existência
nem das suas formas a que é mais reta.
Mas se sente no peito a consequência
do torpe amar que inócuo desperta.
Não se sabe de todo poeta a loucura
nem se a poesia, por si, já não é direita.
Mas é de se notar as falhas da moldura
que distingue o quadro são da parede imperfeita.
Não se sabe do rio a verdade das dóceis águas
que desembocam misteriosas no tempestuoso mar.
Apenas que, doce ou salgada, é histérica a mágoa
que pulmões cheios d'água podem aos olhos causar.
Não se sabe destes versos a veracidade
nem mesmo se, de fato, a verdade existe.
Se estas mentiras corrompem seus olhos pela claridade
ou se são as trevas que culminam nesse ponto triste.
Amor Livre,
Recife, 6 de Dezembro de 2010, 23:10h.
nem do que se ama o que é.
Se o sentimento extinto se faz regresso
ou se todo samba acaba no pé.
Não se sabe das coisas o início,
'inda muito menos se sabe seu fim.
Se o começo de tudo é só um resquício
d'outro princípio que terminou assim.
Não se sabe das mulheres todo o encanto,
nem todo pranto de quando a noite cai.
Se seu melindre é verdade de santo
ou se sobre a cama todo ele se esvai.
Não se sabe do amor a existência
nem das suas formas a que é mais reta.
Mas se sente no peito a consequência
do torpe amar que inócuo desperta.
Não se sabe de todo poeta a loucura
nem se a poesia, por si, já não é direita.
Mas é de se notar as falhas da moldura
que distingue o quadro são da parede imperfeita.
Não se sabe do rio a verdade das dóceis águas
que desembocam misteriosas no tempestuoso mar.
Apenas que, doce ou salgada, é histérica a mágoa
que pulmões cheios d'água podem aos olhos causar.
Não se sabe destes versos a veracidade
nem mesmo se, de fato, a verdade existe.
Se estas mentiras corrompem seus olhos pela claridade
ou se são as trevas que culminam nesse ponto triste.
Amor Livre,
Recife, 6 de Dezembro de 2010, 23:10h.
sábado, 27 de novembro de 2010
Meu coração sangrando todo o meu corpo
e no peito o gosto amargo do desgosto.
Da esperança que sai de mim e acaba nos outros
tantos rostos que assolam desejos tão pueris.
À toa, não sabem de minhas necessidades.
Que preciso dos ares arredios femininos
e seus mais barulhentos sussurros e silêncios
que, de tão lascivos e castos, são plurais.
Que preciso da bebida dos bares e dos ébrios
pensamentos solitários que me socorrem do nada.
Socorrem-me da falta de estímulos sonoros
e da falta das outras coisas de que careço.
Do silêncio, do abraço, do beijo.
Do silêncio do abraço do beijo
quando tudo de mais lindo que há
está escondido por entre estas palavras.
Brincando comigo do jogo da vida e da morte
feito uma criança traquina a brincar com revólver.
Mas não dispara, acertando-lhe o frágil crânio.
Não nos priva de tanta e toda a sua beleza.
Feito esta criança levada que rodopia
nas deformidades da margem direita
deste texto que a cria do nada,
deste desejo que a minha alma deseja.
e no peito o gosto amargo do desgosto.
Da esperança que sai de mim e acaba nos outros
tantos rostos que assolam desejos tão pueris.
À toa, não sabem de minhas necessidades.
Que preciso dos ares arredios femininos
e seus mais barulhentos sussurros e silêncios
que, de tão lascivos e castos, são plurais.
Que preciso da bebida dos bares e dos ébrios
pensamentos solitários que me socorrem do nada.
Socorrem-me da falta de estímulos sonoros
e da falta das outras coisas de que careço.
Do silêncio, do abraço, do beijo.
Do silêncio do abraço do beijo
quando tudo de mais lindo que há
está escondido por entre estas palavras.
Brincando comigo do jogo da vida e da morte
feito uma criança traquina a brincar com revólver.
Mas não dispara, acertando-lhe o frágil crânio.
Não nos priva de tanta e toda a sua beleza.
Feito esta criança levada que rodopia
nas deformidades da margem direita
deste texto que a cria do nada,
deste desejo que a minha alma deseja.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Benditos sejam aqueles
que delegam aos céus
os seus mais torpes atos.
Glorificado seja o nome
de quem mente tão bem
que descrê da própria verdade.
Santificadas sejam as mulheres
da vida das avenidas e das esquinas
pois têm em seu galardão
a hoste das impurezas terrenas.
Livrado seja o altíssimo
de atender a todas as súplicas
e renegar a nós os vícios
de nossas mais puras iniquidades.
que delegam aos céus
os seus mais torpes atos.
Glorificado seja o nome
de quem mente tão bem
que descrê da própria verdade.
Santificadas sejam as mulheres
da vida das avenidas e das esquinas
pois têm em seu galardão
a hoste das impurezas terrenas.
Livrado seja o altíssimo
de atender a todas as súplicas
e renegar a nós os vícios
de nossas mais puras iniquidades.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Se eu pudesse apenas um pedacinho da pele dessa mulher
mesmo que fosse pela brecha
do meu mais volúvel pensamento.
Se eu pudesse uma porçãozinha das douradas madeixas
que desfilam pelo invisível vento
sem nem tocar as minhas queixas.
Se eu pudesse seus olhos, seus lábios e sua voz macia.
Ou mesmo o seu cruzar de pernas
que meu olhar tanto acaricia.
Se eu pudesse tê-la e amá-la, fazê-la possuída e amada
nunca seria escrita esta dura palavra:
quimera! - que na língua do meu desejo amarga.
mesmo que fosse pela brecha
do meu mais volúvel pensamento.
Se eu pudesse uma porçãozinha das douradas madeixas
que desfilam pelo invisível vento
sem nem tocar as minhas queixas.
Se eu pudesse seus olhos, seus lábios e sua voz macia.
Ou mesmo o seu cruzar de pernas
que meu olhar tanto acaricia.
Se eu pudesse tê-la e amá-la, fazê-la possuída e amada
nunca seria escrita esta dura palavra:
quimera! - que na língua do meu desejo amarga.
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