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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Brindemos!
À felicidade da raça
e para infelicidade de todas as mães
as glórias todas obtidas hoje
que brindaremos à noite com os cães.

Saltemos por nossos pés
pelos salões afora
que nem só de deus são dignas
todas as honras, os louvores e as glórias.

Também pertencem aos homens
- raça de benigna força!
Que a suas mulheres trepam e semeiam
- quer elas queiram ou seja à força:

do estratagema
da fama
da lábia
da grana.


Hoje Não é Sexta-Feira

domingo, 15 de abril de 2012

Há muito não escrevo.
Nessas luas de decadência ignóbil
em que a vida parece tão importante
eu me perco.

Perco os sentido de outrora
- tão aprazíveis e regozijantes.
Perco a gramática, a sintaxe das coisas.
Perco-me até na grafia das palavras.

Não sou eu mais o mesmo
- quimera se ainda o fosse.
Sou outro muito mudado
- sem verbo, sem faca, sem foice.

Até as antigas rimas se foram
nos ventos sórdidos de mundana vida
que peleja, realiza e se engrandece
mas não faz o que mais a agradaria:
não escreve.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

É preciso ter pressa
pra correr até as colinas
e não tropeçar na esquina
nem na língua da vizinha.

É preciso não tardar a chegar
à idade dos sábios homens
em que só a mais torpe ideia
pode persuadir-lhe ao engano.

É preciso acertar sempre
e fugir do erro a qualquer custo
é tão preciso quanto todas
as errôneas necessidades.

Só não é preciso o beijo
- navegação de duas línguas alheias
pelos mares salivares das almas
que velejam torpemente.

Não é precisa a caridade
da doação pelo simples ato
e pelo simples e tenro fato
de a boa ação ser em troca de nada.

Não é preciso o sentimento
que nos confunde e nos embriaga
- transformando até o mais sensato momento
em mais um tresvario da alma.


Eu Preciso

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Quem vê a letra não pensa
que o que se sente é o que se lê
e também sempre se esquece
do que se esqueceu de antever.

Não é possível entender o mundo
- escrito, falado ou tocado.
O esforço é sempre suburbano
diante do limbo que se tem alçado.

Mas as inteligíveis sensações nem sempre
compensam a mente daquilo que se pensa
que se entende quando se quer e se esconde
no braço jazido de um qualquer.

Por que o mais valioso de tudo que há
está escondido por entre as entrelinhas
e a verdade mais oculta que existe
está exposta às mais cegas vistas.


As Nossas

domingo, 22 de janeiro de 2012

Meus olhos não se enganam:
eles sabem que é você
o motivo por quem tanto reclamam
que ainda não te podem ver.

Os meus pés estão sempre certos
e eles seguem os teus rastros
mesmo em meio ao campo aberto
são sobre os teus os meus passos.

Meu falo por ti fala
ansiando por teu ventre
quando a noite vem e me cala
não é o teu fogo que ele sente.

O tempo é sábio e não pára
mesmo quando estás ausente
com ciência de que virá a hora
de que em ti serei presente.


Patientae