Teu descaso no meu peito
é rio que seca devagar
é chuva que veio pra levar
o que restou no meu coração
entre tantos sorrisos
e tanto abraços
sem nada, sem mágoa
fica apenas o gosto do pecado
que foi ter te amado
e de você a mim
ter tanto se dado
que foi ter passado pela vida
como quem não sente a ferida
de tantos ânus rebentados.
Uma reflexão póstuma sobre os amores que se esvaem
segunda-feira, 27 de julho de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Nem sei mais por onde ando
que dirá por onde andas tu
Quantas vezes já passei por morrer
quantas hás de ter passado também
Mas se não nos leva a morte
talvez o destino o faça
e nos conduza novamente
um ao encontro do outro
Nem que não seja pra beber aquela velha cachaça
que já não bebo
Nem que não seja pra dar aqueles bons tragos doutrora
Mesmo que seja só pra nos entreolharmos
e
─ sem cruzar os caminhos nem diminuir o passo ─
seguir em frente de volta ao caminho da vida.
que dirá por onde andas tu
Quantas vezes já passei por morrer
quantas hás de ter passado também
Mas se não nos leva a morte
talvez o destino o faça
e nos conduza novamente
um ao encontro do outro
Nem que não seja pra beber aquela velha cachaça
que já não bebo
Nem que não seja pra dar aqueles bons tragos doutrora
Mesmo que seja só pra nos entreolharmos
e
─ sem cruzar os caminhos nem diminuir o passo ─
seguir em frente de volta ao caminho da vida.
domingo, 24 de novembro de 2013
Sou eu me escondendo na calada da noite
da noite calada,
aflita e vadia.
Sou eu evitando os seres humanos
menos as bocetas
-- que são as mais inumanas
[partes.
Sou eu escorrendo pelos ecos
mas não há ecos nem nada
nem silêncio.
São os animais correndo a todo o vapor:
fodendo, matando-se e sendo felizes
enquanto há um céu e olhos para ele.
São os mesmos erros, os mesmos acertos
e a mesma volta para tudo aquilo
que não se há de -- nem se quer -- escrever.
Mas não é nada.
Não são nada
nem sou nada.
Só soo.
da noite calada,
aflita e vadia.
Sou eu evitando os seres humanos
menos as bocetas
-- que são as mais inumanas
[partes.
Sou eu escorrendo pelos ecos
mas não há ecos nem nada
nem silêncio.
São os animais correndo a todo o vapor:
fodendo, matando-se e sendo felizes
enquanto há um céu e olhos para ele.
São os mesmos erros, os mesmos acertos
e a mesma volta para tudo aquilo
que não se há de -- nem se quer -- escrever.
Mas não é nada.
Não são nada
nem sou nada.
Só soo.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Depois do dia, a noite.
A noite depois do dia
transforma as cores, o brilho
e a consciência adia.
Mais meia hora
mais meio morta
vai-se assim tornando concreta
a ideia que a mente excreta
nos pulsos, nos pescoços nas veias
nas velhas e cansadas pupilas dilatadas
que não retêm mais o êxtase
-- só a ressaca.
Depois da noite, o dia
até que a verdade nos separe
do disperso e secreto mundo das ideias
e nos leve de vez ao vazio.
A noite depois do dia
transforma as cores, o brilho
e a consciência adia.
Mais meia hora
mais meio morta
vai-se assim tornando concreta
a ideia que a mente excreta
nos pulsos, nos pescoços nas veias
nas velhas e cansadas pupilas dilatadas
que não retêm mais o êxtase
-- só a ressaca.
Depois da noite, o dia
até que a verdade nos separe
do disperso e secreto mundo das ideias
e nos leve de vez ao vazio.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A lua cai
das luzes ao meio
arrebenta a bossa nova
e eu serpenteio
por entre essa fossa
que se esvai
em largas doses.
Do cetim, do léu,
do prazenteiro
amigo rude, infiel,
eu sou alheio.
A tecnologia toda abduz
qualquer traço de insegurança
que seduz
belas damas
formosas damas
em versos de inspiração
que traz o drama.
Não sou mais eu que faço
a pura rima
- é o ferro, é a dor, é o aço
é a serpentina
estrada torpe por que caminha
um bêbado em noite enluarada
[ de Petrolina.
das luzes ao meio
arrebenta a bossa nova
e eu serpenteio
por entre essa fossa
que se esvai
em largas doses.
Do cetim, do léu,
do prazenteiro
amigo rude, infiel,
eu sou alheio.
A tecnologia toda abduz
qualquer traço de insegurança
que seduz
belas damas
formosas damas
em versos de inspiração
que traz o drama.
Não sou mais eu que faço
a pura rima
- é o ferro, é a dor, é o aço
é a serpentina
estrada torpe por que caminha
um bêbado em noite enluarada
[ de Petrolina.
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