O enredo desse samba à noite sou eu
E a pestana dessa nota açoite é no meu
Dedo que dói sem sentir corda alguma
De sonoridade que soe bem ao sentir.
O bobo da corte hoje não é o rei
Tocando o pandeiro passado do amei,
Misturando a realeza do sentir à plebe do fazer.
Que se sente mais fazendo, que se faz sentindo.
E todas as fantasias de hoje são as minhas,
Sem querer desfazer do carnaval as entrelinhas
Que separam o desejo do prazer
Na maldita terra onde pra dar tem de doer.
A angústia mais banal de sempre
Hoje folgou eternamente
Pra não dizer que só planta a semente
Aquele que sabe como sanar as dores da vida
[hoje - não sou eu.
Estou me guardando pra quando o carnaval chegar
domingo, 22 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Há uma hora na noite em que o coração - sóbrio
Sente falta do vinho, da vodka e de qualquer álcool.
Saudoso de Marcúrio, Marte e Vênus
Ofegante, cheio de Terra.
O sentimento - escancarado - busca uma saída.
Saída qualquer, que não encontra.
Não há saída para o que se sente.
E as mulheres de Marte hão de aguardar.
A veia cresce, sem sentido algum.
Não parece haver circulação ou batimento sequer.
Mas o pulso ainda pulsa dentro da mente que pensa
Sempre na garota de Mercúrio.
A excitação aumenta, só de tocar o ar.
Moléculas descomprimidas do mais trivial oxigênio
Chocam-se às células nervosas do ativo púbico
E as virgens de vênus continuam intactas.
Sente falta do vinho, da vodka e de qualquer álcool.
Saudoso de Marcúrio, Marte e Vênus
Ofegante, cheio de Terra.
O sentimento - escancarado - busca uma saída.
Saída qualquer, que não encontra.
Não há saída para o que se sente.
E as mulheres de Marte hão de aguardar.
A veia cresce, sem sentido algum.
Não parece haver circulação ou batimento sequer.
Mas o pulso ainda pulsa dentro da mente que pensa
Sempre na garota de Mercúrio.
A excitação aumenta, só de tocar o ar.
Moléculas descomprimidas do mais trivial oxigênio
Chocam-se às células nervosas do ativo púbico
E as virgens de vênus continuam intactas.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
As águas de março afundaram meu riacho
E a quarta-feira de cinzas chegou mais cedo para mim
Quarta-feira triste, sem dó e sem cinzas
Quarta feira triste, feia e sem frutas.
As alegorias passaram distante dos meus sons
E seus sons fugiram absortos de meus pés
Pés ingratos, insensatos pés.
Não agem sobre o mal que fazem à minha tez.
O gingado da morena se esvaiu por seus quadris
Saracoteou suas melenas distante do meu nariz
Que agora só cheira o meu ego flatoso
Excêntrico, magoado, receoso.
Agua'rdente dissipa em meu sangue uma canção natalina
Ai, que época boa. Ôh, que música linda.
Era pra ser de batuque e frevo
Agora é amargor e desespero.
Tô agua'rdando pra quando o carnaval chegar
E a quarta-feira de cinzas chegou mais cedo para mim
Quarta-feira triste, sem dó e sem cinzas
Quarta feira triste, feia e sem frutas.
As alegorias passaram distante dos meus sons
E seus sons fugiram absortos de meus pés
Pés ingratos, insensatos pés.
Não agem sobre o mal que fazem à minha tez.
O gingado da morena se esvaiu por seus quadris
Saracoteou suas melenas distante do meu nariz
Que agora só cheira o meu ego flatoso
Excêntrico, magoado, receoso.
Agua'rdente dissipa em meu sangue uma canção natalina
Ai, que época boa. Ôh, que música linda.
Era pra ser de batuque e frevo
Agora é amargor e desespero.
Tô agua'rdando pra quando o carnaval chegar
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Há palavras no pão
E palavras no leite.
Há palavras no chão
E palavras no leito.
Também há palavras no chapéu do padeiro,
Há palavras no ar de pão fresco,
Na filha do padeiro - em seu traseiro
E também dentro do cesto.
Há palavras caindo pela escada
E letras me assustando atrás da janela.
Há uns versos perdidos na vaca malhada
E outros no leite bebido pela banguela.
Há uns termos de merda
E merdas que são termos.
Só não há expressão que não feda,
Como uma palavra que cheira.
A cerca de palavras
E palavras no leite.
Há palavras no chão
E palavras no leito.
Também há palavras no chapéu do padeiro,
Há palavras no ar de pão fresco,
Na filha do padeiro - em seu traseiro
E também dentro do cesto.
Há palavras caindo pela escada
E letras me assustando atrás da janela.
Há uns versos perdidos na vaca malhada
E outros no leite bebido pela banguela.
Há uns termos de merda
E merdas que são termos.
Só não há expressão que não feda,
Como uma palavra que cheira.
A cerca de palavras
sábado, 31 de janeiro de 2009
As doze horas batiam à sua porta.
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
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