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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Miasma

Aos almoços dum corriqueiro dia-a-dia,
E à tal cova que familiar, de um torpor
Hipocondríaco, álgidos tremores esvaíam
Por um hímen atar na Arte do libertino.

Prepotente, ostentoso, insalubre e vil,
Um inopinado transparecer fúlgido de
Amour, tranvestindo as vestes púrpuras
Dum crepuscular credo na Arte cósmica.

Aquele mesmo alóctone, um mal-criado,
Retorquiu à madre - num ardil supor;
Do amor: ínfimo, mero em cretinice.
Esbelto florescer insólito, tão vero!

A progenitora? Materno carecer tenaz
Que o extenuava a ceder-se ante tudo,
Ventre de um exigir, dantes previsto,
Um amor prognosticado: efêmero afeto.


Thacle de Souza Pinheiro (06/12/2007 - 17h07min)

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vasa-me agora,
tenebrosa flâmula da desconjuntura do meu ser.
Transborda-me sem hora
de findar em mim tudo isso que me faz parecer.

Vai-me agora,
o coração à espreita d'um tênue pesar.
Vem-me sem demora
à minha mente a expressão luxuriosa de todo o amar.

Entornam-me a mim,
os antigos, dantescos versos.
Esvaem-se em fim,
num mar de piegas e desafinados retrocessos.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Lunático, veneta magnética

O canto do Maldito arcaico louco
Exala-se numa invernia atemporal
Dum voraz delírio fatídico, ínvio
Aos sensatos racionais sêniores.

Abre-se a abóbada celeste, úbere
Do uivo ufano, do amor selênico,
Dos turvos Paraysos imaginários,
Frutíferas celebrações incautas.

Outros, mormente sêniores quais
Do racional-ser, racional-saber,
Racional-fazer, racional-querer,
Enfezam-se num onírico desejar.

Desdenham-se os insanos, porém,
Do ser e saber e fazer e querer,
Imersos, nuns devaneios alheios,
De magníficas aspirações ácidas.

Thacle de Souza Pinheiro (09/12/2007 - 00h04min)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Mente, minha mente, mente!
Diz que estou contente
Diz que eu sou feliz,
Nem que seja meretriz.

Mente, minha mente, aprende
A mostrar um sorriso ardente
Mostrar que sou só ilusão
N'uma tola, fulgurante, visão.

Mente, minha mente, descende
Do seu patamar de tal sabedoria,
Sabendo agradar à senhoria
Que à tamanha felicidade ascende.

Mente, minha mente, esquece
O último verso dessa minha prece
Que não deveria findar em ésse.
...




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