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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Que se me fizesse adentrar
pelo lado de fora do mundo
Diria-lhe tresvarios, insânias.
Meus vocábulos sujos, imundos.

Que se me fizesse suar de ter frio
E grilar de ser varão passado
Diria-lhe loucuras mais abruptas
Quebrando o silêncio do verão inacabado.

E se fizesse-mo gélido e trépido,
tal qual as palavras minhas,
Seria, demais de megera a donzela,
Sublime, minha rainha.

Mas se insiste em faze-lo-mo crepitante,
Balbucio minhas luxúrias desvairadas
Em seus seios excitantes,
Sendo em ti mais que amante, amado
[, estudante.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Concubina, devora-me uns escrúpulos

Granjear-te é ganhar um gozo maior
Das ânsias vis de que cobiça o meu corpo.
E, incausto, arrancar, exaurindo-me o fôlego,
Toda a safadice de ti.

Mastiga-me, ninfa, engole-me,
Um casmurro dono do prazer que não é meu.
Mundana, rameira, meretriz;
Surrupia-te um restante senso qualquer.

Tresloucada sensação de te morder
O resíduo da casta que se transviou.
O vetusto ônus fariseu.

Hirto, desvairado dum prazer
Eriçado numa cama infectada
Doravante, por um impuro amour.

Thacle de Souza Pinheiro (26/10/2007 - 19h34min)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Resquícios dumas Horas Vagas*

À guisa de tal sempiterna mulher.
Olhar dum samba mortífero,
Outros melindrosos dedos,
Abocanhando uns safados fumos.

Incorrendo numa fenda no tempo,
[E eu, estróino, resvalando-me]
As cinzas, vis, dum findo tabaco.
Sensual fubecada, do ardor tardio.

Dou, até, uma fugida fricote
Do eu, de mim, daquele outro ser.
Entrevejo mil formas, veredas
Dum escapulir do meu ermo pigarro.


Thacle de Souza Pinheiro (23/10/07 - 16h25min)


* Título modificado.

sábado, 20 de outubro de 2007

Minha poesia é masturbação
Gozo tais palavras em sua mente
E você - pobre demente.
Não pode jugá-las se certo ou errado.

Minha prosa é metade errada
Sendo a outra metade poesia
Mistureba de amar e heresia
Vai entender no que se dá!

Minha proesia é trôpega,
podes ver.
Isso se queres tocar sem ser
um deletério bêbedo como eu.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Um Flexuoso Estigma - Pós-vanguardista

Daquelas floríferas mentes, de insanas inanidades;
Antagonistas, inaliáveis, irreparáveis, sãs.
Pré-seculares, instintos memoráveis de um Mundo,
Intrépido, meticuloso, análogo à ânsia heróica.

Frutíferas eras apocalípticas, idôneas, míticas,
Transviadas revoluções, ilegítimos reinados, quais
Intelectos vencidos, de uns transfixados morais.
Trânsfuga maquinal, dentre um meandro já milenar.

Fétidos facínoras delinqüidos tais que fatais,
Amorais líderes libidinosos, lidas liberalistas,
Inférteis liminares fronte decadentes cosmopolitas.

Thacle de Souza Pinheiro (17/10/2007 - 17h46min)

sábado, 13 de outubro de 2007

Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[desafeto
[luxúria
[infanticídio

Apregoe-me bêbedo,
lunático,
dântico,
espermático.

Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[desprezo
[sardonismo
[anti-esteticismo

Apregoe-me maldito,
passado,
malamado,
esquisito.

Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[veracidade
[ferocidade
[verbosidade

Apregoe-me desvairado,
trespassado,
irritado,
mal humorado.

Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[sua voz
[sua tez
[sua foz

sábado, 6 de outubro de 2007

Babélico II (Quadro de Poemas)


V

Malfadado

Vertem em mim.
Olhares, os quais enrabichados,
Entre deletérios salivares alguns.
Outros mais e nada mais, a mim, enfim.

Delinqüidos olhos. Malgastados.
Más cores de um fiel amor avulso,
Que não meu.
Senhor tal, de só um coração
E mil afogadiços quaisquer.

Thacle de Souza Pinheiro (06/10/07 - 12h27min)


VI

O Passageiro

O Passageiro do mundo.
Um ser alheio a um milhar de outros.
Minaz aventureiro, daquelas
Míticas e ignotas peripécias.
E nós cá, senis entidades.

Dizem dele em avelórios, ávidos
Gabos, entre fuzarcas e imprudências vis.
Cândido, porém, e partículas mais de um axioma
Dos pés, que confrontaram o mundo,
Nus.

Thacle de Souza Pinheiro (06/10/07 - 13h25min)


VII

Vício

A Morte é um vício que nos contempla,
Noite e dia, a égide da dor.
Áspide da estúrdia, anverso inalar
Que sufoca, egresso de ti, de mim,
De uma vivaz agonia vítrea em olhos mortos.

Mordiscando inférteis retóricas,
Em um enlouquecer desenfreado,
No desdouro da desdita de viver.

Thacle de Souza Pinheiro (06/10/07 - 13h54min)


VIII

Utérus

Há luz, perturbante.
Dignifica-se uma insólita perversão.
Pervagando novos ares, promíscuos.
Brados insanos de uma inaudita vida.

Membros desaforados, expurgadores.
Volátil hesitação. Dúbios arremedos.
Monstrengos estranhos a fitar o ato. Enfim,
Eclodiu-se o terrífico ardor universal:
Nasceu.

Thacle de Souza Pinheiro (06/07/10 - 14h37min)