Páginas

domingo, 29 de julho de 2007

Primeira Carta Escrita Não-Enviada de Seulpoet

Datada de 29/07/07
Às 03h03min
Enviada a ele mesmo.


Caro Eu;

Estou agitado, neste momento. Porém, tenho siso e concisão em minhas próximas palavras. Sim, e tenho dito. Avolumei-me de dúvidas e inconstâncias que me elevam ao estado de insano. Eu mesmo digo a você (ou eu), que eu (sendo você), somos, sou ou é o invólucro do nada que nos forma. Sendo eu você, ou sendo você eu, é este o "nosso" invocativo: a avidez em tornar-me um
insano destruidor de eus. Não temas tu, mesmo sendo eu, já que tu és o eu que prezo e que preciso fazer coexistir para destruir-me aos outros eus e aos outros tus. Acrescento: não estou respeitando-te, nem respeitando-me. Sou, é, somos os destruidores de nós mesmos. E, talvez, nem eu sobreviva a mim mesmo.

Affctueusement, Seulpoet.

(Thacle de Souza Pinheiro)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Satiríase

Senhoras e senhores, adivirto-vos: peco como somente as línguas dos longíguos diabos fétidos e dementes pode vos afirmar.
Caso vos ofenda, não hei de pedir perdão: já não há escrúpulo algum, em mim.
Ergui-me na escuridão da insanidade humana, vasculhando a despretensiosa sensualidade inerente ao subjetivo. Enfatuei-me e provei de luxuriosa soberba.
Quando estive arqueando e a pandegar no Inferno, fui condecorado como o 'Lorde dos depravados'. No paraíso, fui o devorador de lindos anjos.
Minha voz sibila como um entorpecente que seduz almas puras. Rasgo-lhes o corpo, a mente e o coração. Ferve a paixão, febril. Inóspita.
Porém, escondo-me de mim mesmo e da minha face, ao amanhecer.
Afeito às sombras, desvencilho-me da luz.
Quando a Lua eleva-se e os lobos uivam em Ode ao Obscuro; meus olhos empertigam-se, minhas mãos tremem e meu corpo pede por vinho.
Peço também por tóxicos inebriantes.
Clamo pela decadência.

Eu sou um vampiro mórbido. Sugo a vida.
Sou o frenesi que extingüe a racionalidade dos corações.
A fúria que atinge os inocentes.
Sou o julgamento final: o tormento.
O vampiro que suga o júbilo.
Não temo a minha volúpia, atiço-a e entrego-me aos corpos.
Sexo, seduz-me, sempre fi-lo sedento e ardente, assim como o faço mais arduosamente ainda.
Devirtuo a pureza, enquanto a paixão se interpõe delgada.
Dedos que me tocam, boca que me sente, corpo que enrijece.
Não renego a minha tentação.
Sou elegante e decadente: sou indefinido.
Filho da terra, do céu e do espaço.
Em mim, transita o sangue do infinito.
Séduit par la mort.

Prazer, caros abnóxios:
Meu nome é Lunamant.

(Thacle de Souza Pinheiro)

terça-feira, 24 de julho de 2007

Passeio Noctívago

Sombras entranham-se em mim,
Minha psique intumescida.
Ufania atinente - À 'Aquilo-que-é-e-não-é'.
Escravo do nada, ou do tudo.

Não há sonoridade em sua voz - nem voz,
Não há luz em seus olhos - nem olhos,
Não há sanidade ou insanidade,
Não há, nem mesmo, o nada.

Transborda, o caos.

Ando pelas ruas disseminadas em ecos
De palavras desnorteadas e emoções extintas.
Faces ocultas, embriaguez de escuridão.
A me dizer adeus, vozes enfim.

Corri estouvado ao indefinido além
À busca do deleite do escape,
Das ruas, de mim.

Iludi-me, apenas:
Não sei onde estou.

(Thacle de Souza Pinheiro)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Subconsciente

Algo - saliento: mórbido - acolita-me.
Membros esparsos, tais como fragmentos de almas,
Dilaceram, do meu pavor, agudos silvos.
Ergo-me na solidão.

Sonambúlicos, meus pensamentos evaporam-se.
Intríseca, minha coragem dispersa-se.
Voláteis, meus nervos vão-se, remotos.
Acordado? Sufoco-me, eu e eu.

Horror, invade-me - entorpecente.
Nada mais.
Não há mais.
Nunca mais.

(Thacle de Souza Pinheiro)
Inconsciente

Há, então, 3 horas primeiras do dia;
Escuridão enerva - enevoa.
Enfado-me, rebuscado e calado,
A escuridão também: silêncio de bocas mortas.

Encolho-me estertorante,
Vulnerável e amuado.

O assombro estorva repetino,
Ligeiramente atemorizando-me.

A Face, bruscamente, estende-se a me contemplar;
Suas sombras, delineando-se,
Emitem ruídos sangrios,
E - Ela - ergue uma gélida voz taciturna:
"Não há mais volta."

(Thacle de Souza Pinheiro)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Pústula Flor

És a minha flor favorita,
Esbelta, esmerada, efusiva;
Com mil sabores diversos da mesma orquídea
Entre mil feições distintas do mesmo jasmim;
Cores inebriantes - matam-me a todos os instantes
Envolto em sensações efêmeras,
Austera decisão - viver sisudo;
Ah, hei de me entregar à dor.
Da lascívia das tênues pétalas,
Mero escravo tornei-me - Oh, Flor!
Flor intensa e irascível,
Rasga-me, aos meus sentidos,
Porém não deixes - Oh, Flor! -
Vestígios do que sentir,
Neste lúgubre coração.

(Thacle de Souza Pinheiro)