Há palavras no pão
E palavras no leite.
Há palavras no chão
E palavras no leito.
Também há palavras no chapéu do padeiro,
Há palavras no ar de pão fresco,
Na filha do padeiro - em seu traseiro
E também dentro do cesto.
Há palavras caindo pela escada
E letras me assustando atrás da janela.
Há uns versos perdidos na vaca malhada
E outros no leite bebido pela banguela.
Há uns termos de merda
E merdas que são termos.
Só não há expressão que não feda,
Como uma palavra que cheira.
A cerca de palavras
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
As doze horas batiam à sua porta.
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.
A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.
Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.
À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.
O Humor Fleumático
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Estou triste para a prosa;
Muito feliz para o verso;
A frase sai sempre torta
E o verso como eu não quero.
Estou triste para evangélico;
Muito feliz para católico;
A missa - cheia de mistérios
E o culto - muito simbólico.
Estou triste para tocar;
Muito feliz para cantar;
A nota me erra sempre à garganta
E a corda me fere muito - do dedo - a pança.
Estou triste para sorrir;
Muito feliz para chorar;
A lágrima seca a desabrochar
E o riso... Sabe lá - não quer sair.
Estou triste para amar;
Muito feliz para o amor;
O coração, qual valente,
Sabe que um pobre demente
[não sonha em vão.
A Dubiedade Nostálgica
Muito feliz para o verso;
A frase sai sempre torta
E o verso como eu não quero.
Estou triste para evangélico;
Muito feliz para católico;
A missa - cheia de mistérios
E o culto - muito simbólico.
Estou triste para tocar;
Muito feliz para cantar;
A nota me erra sempre à garganta
E a corda me fere muito - do dedo - a pança.
Estou triste para sorrir;
Muito feliz para chorar;
A lágrima seca a desabrochar
E o riso... Sabe lá - não quer sair.
Estou triste para amar;
Muito feliz para o amor;
O coração, qual valente,
Sabe que um pobre demente
[não sonha em vão.
A Dubiedade Nostálgica
sábado, 15 de novembro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Sinto, meu bem,
Por te ter em pecado.
Melhor perdurar entre um laço
Que roubar de outro meu doce regaço.
E essa doce luxúria,
Que agora te cerca
Não vive sem brechas
Não acha moradas desertas.
Por pior que seja a dor
De outrem que se ache aqui
Não é maior que o prazer que sinto
Ao ficar, vendo-te partir.
Ao meio se faz
O que já não era inteiro.
E no meu peito se traz
Algo infértil, putrefeito.
De amor ou suor,
Em visto que não é lama,
Atende o prazer da chama
De quem agora consola o teu drama.
[AMA!
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Por te ter em pecado.
Melhor perdurar entre um laço
Que roubar de outro meu doce regaço.
E essa doce luxúria,
Que agora te cerca
Não vive sem brechas
Não acha moradas desertas.
Por pior que seja a dor
De outrem que se ache aqui
Não é maior que o prazer que sinto
Ao ficar, vendo-te partir.
Ao meio se faz
O que já não era inteiro.
E no meu peito se traz
Algo infértil, putrefeito.
De amor ou suor,
Em visto que não é lama,
Atende o prazer da chama
De quem agora consola o teu drama.
[AMA!
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
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