Inspiração de coletivo
são teus lábios
em que desço a cada parada,
em que suspiro a cada descida
são tua boca sinuosa
- mais que as curvas do caminho -
e teus cabelos desgrenhados.
Inspiração de coletivo
são teus tenros sonhos
que melindras entre um deslize e outro,
entre um cochilo e outro
entre um passageiro e outro
que no meio de tanta aflição
encontra em teu seio a paz
[que não encontra quando pisa o chão.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Se o ópio durasse tanto
quanto dura a sobriedade
não seria eterna a tristeza
seria mais tenra a saudade
Que o amor é o logro do povo
e é também de todo o agouro
que agonia as almas amantes
quando é chegado o sóbrio instante
Que o amar é drogar-se
envenenar-se
contaminar-se
condenar-se
Se à mente - e ao resto de todo o corpo
açoita - a duras mágoas -
o tal sentimento interrompido
antes que se tenha um outro castigo
[mais letal
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Brindemos!
À felicidade da raça
e para infelicidade de todas as mães
as glórias todas obtidas hoje
que brindaremos à noite com os cães.
Saltemos por nossos pés
pelos salões afora
que nem só de deus são dignas
todas as honras, os louvores e as glórias.
Também pertencem aos homens
- raça de benigna força!
Que a suas mulheres trepam e semeiam
- quer elas queiram ou seja à força:
do estratagema
da fama
da lábia
da grana.
Hoje Não é Sexta-Feira
À felicidade da raça
e para infelicidade de todas as mães
as glórias todas obtidas hoje
que brindaremos à noite com os cães.
Saltemos por nossos pés
pelos salões afora
que nem só de deus são dignas
todas as honras, os louvores e as glórias.
Também pertencem aos homens
- raça de benigna força!
Que a suas mulheres trepam e semeiam
- quer elas queiram ou seja à força:
do estratagema
da fama
da lábia
da grana.
Hoje Não é Sexta-Feira
domingo, 15 de abril de 2012
Há muito não escrevo.
Nessas luas de decadência ignóbil
em que a vida parece tão importante
eu me perco.
Perco os sentido de outrora
- tão aprazíveis e regozijantes.
Perco a gramática, a sintaxe das coisas.
Perco-me até na grafia das palavras.
Não sou eu mais o mesmo
- quimera se ainda o fosse.
Sou outro muito mudado
- sem verbo, sem faca, sem foice.
Até as antigas rimas se foram
nos ventos sórdidos de mundana vida
que peleja, realiza e se engrandece
mas não faz o que mais a agradaria:
não escreve.
Nessas luas de decadência ignóbil
em que a vida parece tão importante
eu me perco.
Perco os sentido de outrora
- tão aprazíveis e regozijantes.
Perco a gramática, a sintaxe das coisas.
Perco-me até na grafia das palavras.
Não sou eu mais o mesmo
- quimera se ainda o fosse.
Sou outro muito mudado
- sem verbo, sem faca, sem foice.
Até as antigas rimas se foram
nos ventos sórdidos de mundana vida
que peleja, realiza e se engrandece
mas não faz o que mais a agradaria:
não escreve.
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