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sábado, 31 de janeiro de 2009

As doze horas batiam à sua porta.
Eram doze horas melancólicas,
Tristes e sadias.
Eram as doze horas do dia.

A verdade se escondia à espreita.
E a mentira sussurava ao seu ouvido,
Além do cachorro que latia.
Ladrava, o cachorro, e saía.

Eram três, as suas irmãs
E o véu da virgindade descomunal
Dentre os seus ventres se escondia.
Berravam, choravam e gemiam.

À porta da meia-noite gritou, escondido.
Não era gato, nem rato - nem bandido.
Era um gatilho solto que se esvaía.
Não vivia, não gozava, nem morria.



O Humor Fleumático

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Estou triste para a prosa;
Muito feliz para o verso;
A frase sai sempre torta
E o verso como eu não quero.

Estou triste para evangélico;
Muito feliz para católico;
A missa - cheia de mistérios
E o culto - muito simbólico.

Estou triste para tocar;
Muito feliz para cantar;
A nota me erra sempre à garganta
E a corda me fere muito - do dedo - a pança.

Estou triste para sorrir;
Muito feliz para chorar;
A lágrima seca a desabrochar
E o riso... Sabe lá - não quer sair.

Estou triste para amar;
Muito feliz para o amor;
O coração, qual valente,
Sabe que um pobre demente
[não sonha em vão.


A Dubiedade Nostálgica

sábado, 15 de novembro de 2008

Um editor
Um escritor
Um bêbedo e
Uma vagabunda.

São os artigos indefinidos
De uma história
Sem final feliz e
Sem final triste.

O escritor escreve
Sobre o bêbedo e
O bêbedo come
A vagabunda

O editor edita
O escrito e
A vagabunda lê
O livro.

Rabiscos n'um guardanapo

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sinto, meu bem,
Por te ter em pecado.
Melhor perdurar entre um laço
Que roubar de outro meu doce regaço.

E essa doce luxúria,
Que agora te cerca
Não vive sem brechas
Não acha moradas desertas.

Por pior que seja a dor
De outrem que se ache aqui
Não é maior que o prazer que sinto
Ao ficar, vendo-te partir.

Ao meio se faz
O que já não era inteiro.
E no meu peito se traz
Algo infértil, putrefeito.

De amor ou suor,
Em visto que não é lama,
Atende o prazer da chama
De quem agora consola o teu drama.
[AMA!

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Degolo-te todo o prazer em sangue vivo.
Estupro-te a vontade outr'ora sonegada.
Dá-me o que me há de ser
Apenas um bibellot fruto do teu prazer.

Usufruo das tuas pele, boca e alma.
E quando já sinto tocando em mim os teus pêlos
É que me consome uma leve calma
Que transtorna o mais prazeroso desespero.

Concubina dos meus maiores delírios!
Cortesã do meu mais sórdido membro!
Qual preço que cobras por ser eu
Teu possuidor mais honrado e intenso.

Vexa-me as calças desde o momento em que as uso
E em ti não deixo vestes de lã ou veludo,
Senão tuas tímidas auréolas que - anodinamente
Tentam esconder os teus mamilos de minha mente.

Quando parece, o suor, nos consumir por completo
Ainda há entre teu ventre outro fluido mais discreto
Qual acalma por um segundo nossos instintos insanos
Mas logo rasgam-se os nossos corpos - em fogo brando.