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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Subconsciente

Algo - saliento: mórbido - acolita-me.
Membros esparsos, tais como fragmentos de almas,
Dilaceram, do meu pavor, agudos silvos.
Ergo-me na solidão.

Sonambúlicos, meus pensamentos evaporam-se.
Intríseca, minha coragem dispersa-se.
Voláteis, meus nervos vão-se, remotos.
Acordado? Sufoco-me, eu e eu.

Horror, invade-me - entorpecente.
Nada mais.
Não há mais.
Nunca mais.

(T.)
Inconsciente

Há, então, 3 horas primeiras do dia;
Escuridão enerva - enevoa.
Enfado-me, rebuscado e calado,
A escuridão também: silêncio de bocas mortas.

Encolho-me estertorante,
Vulnerável e amuado.

O assombro estorva repetino,
Ligeiramente atemorizando-me.

A Face, bruscamente, estende-se a me contemplar;
Suas sombras, delineando-se,
Emitem ruídos sangrios,
E - Ela - ergue uma gélida voz taciturna:
"Não há mais volta."

(T.)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Pústula Flor

És a minha flor favorita,
Esbelta, esmerada, efusiva;
Com mil sabores diversos da mesma orquídea
Entre mil feições distintas do mesmo jasmim;
Cores inebriantes - matam-me a todos os instantes
Envolto em sensações efêmeras,
Austera decisão - viver sisudo;
Ah, hei de me entregar à dor.
Da lascívia das tênues pétalas,
Mero escravo tornei-me - Oh, Flor!
Flor intensa e irascível,
Rasga-me, aos meus sentidos,
Porém não deixes - Oh, Flor! -
Vestígios do que sentir,
Neste lúgubre coração.

(T.)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Poeta

Filho: torne-se poeta.
Aprenda a desconhecer
o Universo e o Amor.

E sentir.
[dor e prazer]

Esgueirar-se em contradições
Respirar paradoxos
Construir inflexões
E destruir paradigmas

Alucinar-se em ódio
E regozijar-se em amor
Provar da mais condoída amargura
E da mais terna delicadeza
[e não apenas os guardar no escrínio]

Gritar, uivar, gemer
De vontade - TODAS
De tentação - QUAISQUER
De desejo - INTEIRAMENTE
Sem restrição à entrega

Deliciar-se de toques
Mãos, dedos, lábios
Por um único instante: únicos
Prováveis causadores da minha embriaguez
E de meus olhos calados.

Sensações inebriantes
Que me fazem morrer enquanto amo
Falecer em teus braços
Envolto em tua ternura.

Obter, de tal forma,
Aptidão de chorar e sorrir
Demasiado contente, assim como triste,
Em subsequente horror e amor.
Transmutando-se em sentimentos.

O preço dessa sensibilidade, porém,
Em meio aos jardins do exótico
E aos mares do inefável...
É absolutamente inerente à solidão.

(T.)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Indefinido

Sua voz se perde entre a de mulher e a de um homem
A humanidade parece seduzida por seu andar
Seus olhos infiltram-se e encantam a todos
E suas mãos parecem flores

Sua sensualidade me prende
Meus desejos se confundem com seu corpo
E na luz breve da matina
Meus olhos se abrem em frente aos seus

As noites parecem sumir nos corredores desse prazer
As portas se abrem a cada passo
As dúvidas salientam minha confusão
E fazem brotar a desilusão aos meus conceitos

Minha boca cede ao seu toque
Seus dedos deslizam como as nuvens
Que acariciam a lua nessa noite fria
E a vontade de me agarrar a esse desejo aumenta

Meu corpo quente que clama pelo seu toque
Novamente - a luz anuncia o sol que chega
E nos encontramos dominados outra vez
Pela tentação das nossas dúvidas

Filho da terra, do sol, da lua
Um céu de estrelas negras, sombrias
Cores que brotam na face de anjo
Indefinida - infinita - proibida

(T.)