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terça-feira, 24 de julho de 2007

Passeio Noctívago
Sombras entranham-se em mim,
Minha psique intumescida.
Ufania atinente - À 'Aquilo-que-é-e-não-é'.
Escravo do nada, ou do tudo.

Não há sonoridade em sua voz - nem voz,
Não há luz em seus olhos - nem olhos,
Não há sanidade ou insanidade,
Não há, nem mesmo, o nada.

Transborda, o caos.

Ando pelas ruas disseminadas em ecos
De palavras desnorteadas e emoções extintas.
Faces ocultas, embriaguez de escuridão.
A me dizer adeus, vozes enfim.

Corri estouvado ao indefinido além
À busca do deleite do escape,
Das ruas, de mim.

Iludi-me, apenas:
Não sei onde estou.

(T.)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Subconsciente

Algo - saliento: mórbido - acolita-me.
Membros esparsos, tais como fragmentos de almas,
Dilaceram, do meu pavor, agudos silvos.
Ergo-me na solidão.

Sonambúlicos, meus pensamentos evaporam-se.
Intríseca, minha coragem dispersa-se.
Voláteis, meus nervos vão-se, remotos.
Acordado? Sufoco-me, eu e eu.

Horror, invade-me - entorpecente.
Nada mais.
Não há mais.
Nunca mais.

(T.)
Inconsciente

Há, então, 3 horas primeiras do dia;
Escuridão enerva - enevoa.
Enfado-me, rebuscado e calado,
A escuridão também: silêncio de bocas mortas.

Encolho-me estertorante,
Vulnerável e amuado.

O assombro estorva repetino,
Ligeiramente atemorizando-me.

A Face, bruscamente, estende-se a me contemplar;
Suas sombras, delineando-se,
Emitem ruídos sangrios,
E - Ela - ergue uma gélida voz taciturna:
"Não há mais volta."

(T.)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Pústula Flor

És a minha flor favorita,
Esbelta, esmerada, efusiva;
Com mil sabores diversos da mesma orquídea
Entre mil feições distintas do mesmo jasmim;
Cores inebriantes - matam-me a todos os instantes
Envolto em sensações efêmeras,
Austera decisão - viver sisudo;
Ah, hei de me entregar à dor.
Da lascívia das tênues pétalas,
Mero escravo tornei-me - Oh, Flor!
Flor intensa e irascível,
Rasga-me, aos meus sentidos,
Porém não deixes - Oh, Flor! -
Vestígios do que sentir,
Neste lúgubre coração.

(T.)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Poeta

Filho: torne-se poeta.
Aprenda a desconhecer
o Universo e o Amor.

E sentir.
[dor e prazer]

Esgueirar-se em contradições
Respirar paradoxos
Construir inflexões
E destruir paradigmas

Alucinar-se em ódio
E regozijar-se em amor
Provar da mais condoída amargura
E da mais terna delicadeza
[e não apenas os guardar no escrínio]

Gritar, uivar, gemer
De vontade - TODAS
De tentação - QUAISQUER
De desejo - INTEIRAMENTE
Sem restrição à entrega

Deliciar-se de toques
Mãos, dedos, lábios
Por um único instante: únicos
Prováveis causadores da minha embriaguez
E de meus olhos calados.

Sensações inebriantes
Que me fazem morrer enquanto amo
Falecer em teus braços
Envolto em tua ternura.

Obter, de tal forma,
Aptidão de chorar e sorrir
Demasiado contente, assim como triste,
Em subsequente horror e amor.
Transmutando-se em sentimentos.

O preço dessa sensibilidade, porém,
Em meio aos jardins do exótico
E aos mares do inefável...
É absolutamente inerente à solidão.

(T.)