Páginas

sábado, 13 de março de 2010

05 de Agosto de 2009
Quero pensar como os grandes homens
que vivem à frente do seu tempo,
inovam já o que não é mais possível
e fazem do impossível simplesmente inexistente.

Quero agir como agem os construtores do universo
que não se contentam em pensar, amar e viver
mas necessitam fatalmente de mudar o mundo
e reerguê-lo com as próprias mãos.

Quero amar como os grandes amantes
que se apegam a algo como se o fossem:
vivem, dormem, pensam e comem o que amam
- não apenas fingem que vivem da razão.

Mas quero continuar sendo pequeno
por que é sendo assim tão ínfimo
que eu posso me perder na grandeza
desse mundo de palavras.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Cantarei à minha terra
o amor que nunca senti
quando subir àquela serra
distante dos amores que hão aqui.

Voltarei ao cunho do abandono
e mendigarei aos deuses absolutistas
a misericórdia de qualquer abono
que de Petrolina me tragam notícias.

Se algum dia voltar às planícies que me desacolheram,
proferirei aos céus e às areias da ilha que me deixem
espairecer os prantos do coração metropolitano
nas águas gélidas que firmaram o rumo do meu ser.

Fugir a esmo! - eis o nome desse novo ato.
Que, feito um palhaço alheio aos risos,
novamente enceno e deixo o picadeiro setanejo.
Adeus, minha ficha dezenove interiorana.
[adeus.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Não quero mais tequila.
Não quero mais vodka.
Não quero mais paixão.
Não quero mais amor.

Eu só quero o quarto aberto
com as pernas escancaradas.
Ávidas em receber meu membro
em prantos salutares de prazer.

Não quero mais desejo.
Disso já me tenho suficiente.
Não quero mais saudades.
Todas fincaram minha terna mente.

Anseio pelas lutas de quereres-não-quereres
que pelos prazeres que afincam a carne
e o devaneio que se faz um instante
por dizer que só quero a ti, nada mais.


Por assim de "z" que só quero sexo.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A gente vai crescendo
e vai se achando importante.
E vai se achando pequeno
e vai se achando distante.

E vai se ficando mais chato
quando vai se ficando mais real.
E vai se ficando ranzinza,
Se a mágica vai se ficando banal.

O amor vai se diminuindo aos pouquinhos,
o diminutivo vai se diminuindo depressa.
A tristeza vai se diminuindo um bocado
quando a riqueza vai se diminuindo sem pressa.

O tempo vai acabando
e a gente vai ficando sem tempo
e vai se achando sem tempo
e vai se diminuindo sem tempo.