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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A lua cai
das luzes ao meio
arrebenta a bossa nova
e eu serpenteio
por entre essa fossa
que se esvai
em largas doses.

Do cetim, do léu,
do prazenteiro
amigo rude, infiel,
eu sou alheio.

A tecnologia toda abduz
qualquer traço de insegurança
que seduz
belas damas
formosas damas
em versos de inspiração
que traz o drama.

Não sou mais eu que faço
a pura rima
- é o ferro, é a dor, é o aço
é a serpentina
estrada torpe por que caminha
um bêbado em noite enluarada
[ de Petrolina.

domingo, 15 de setembro de 2013

Existem letras lindas
e palavras mais belas ainda
quando escritas a duras penas
que enfeitam à alma o poema.

Existem versos cheios de rimas,
estrofes de beleza mais pura e mais fina
quais quando cantadas de toda a graça
ecoa pelos ares, erva boa.

Alexandrinos, sonetos e liras.
Metrificados, espaçados e impecáveis.
Embaralhados, confusos e contundentes.

Qualquer verso, qualquer rima,
qualquer estrofe de qualquer cantoria
é sem ela


Qualquer Poesia

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O que será que ele pensa
ao me ver feliz assim?
Será sincero o contentamento
ou morre de ciúmes de mim?

Quem será que ele vê
ao me ver assim tão bela?
A mesma que esteve em sua cama
ou não sou mais, eu, aquela?

O que será que sente
um coração tão cruel e rude?
Palpitará ainda seu peito
ou só o meu é que se ilude?

Se houvessem ainda as horas
e houvesse também o outro caminho
buscaria o aconchego em meu seio
ou viveria esta dúvida sozinho?


Dúvida de Mim

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Madrugada aflita
a terra grita
avisto os gritos
de guerra frita

os falos fritos
na madrugada
enluarada
sem sol, sem brava

aos berros ligos
sem mais alistos
meus sujos grilos
em seus mamilos

sem mais nem meio
no cerebelo
n'alma do cabelo
por ser pentelho

não sei q'é isso
sem presunto misto
será que é xisto
q'agora insisto?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu sempre entro por você
por estas suas brechas
com que me cega as vistas
já muito desgastadas por não enxergar cousa alguma.

Entro de novo no nosso passado
percorro todos os vestígios
que são quase nenhum
mas me dão as pistas que prescindo para lembrar você.

Há quase nada
há muito pouco
há uns segundos
e tudo se esvai de novo como se já não houvessem

os mesmos livros
as mesmas rimas
os mesmos desencontros
que, eles sim, são sempre os mesmos com quem me encontro.

Como se 'inda não houvesse
o término
o decrépito
e o insensível prontuário que dita as normas do que já não somos

já não fazemos
não seremos
nunca fomos
e para sempre hemos de ser.

As normas dessas coisinhas
do dia a dia e de tudo
que se sabe ter de ser
mas que eu não quero ter que escrever aqui também.


Eu sempre entro por você