Não hei de fazer do meu verso
essa prosa infernal que aprisiona,
tortura e dilacera os ufanismos
das mentes extra-terrenas.
Todas essas letras que nos cercam,
ainda que carreguem em si
a mais pura ciência dos fatos,
são d'agora vis e enfadonhas.
O que vale, meus senhores errantes,
é a palavra que se perde ao sair do ser.
Não aquelas que vêm de fora
e tangenciam o cerebelo coordenadas.
Mais valem agora, até as seis da manhã
e o cabaré da próxima esquina,
as experiências de vidas tolices,
embasbacadas, alheias e indomáveis.
Mais valem agora, até as dez da noite
e o perdão da esposa que descansa,
os perjúrios de amor à meretriz
que agora possui maculado, o ventre.
Mais valerá o bom entendimento
do ladrão que outr'ora o aguardara
que o sorriso fecundado postumamente,
ostentoso e perdulário de piegas fanfarronices.
Hei de fazer, eu, uma sétima estrofe impetuosa
- que transgrida as barreiras de todo o escrito
e transcenda à quimera dos sonhadores.
Hei de cantar o amor, que se faz em verso e prosa.
E o sétimo estará também na oitava.
Na perfeição das sonoras notas.
Na melancolia dos dias.
[no vazio d'aqui.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
O ser humano perfeito
até hoje é uma quimera:
ainda após especiais efeitos
não perfaz o desejo
de quem não o exonera
da contínua batalha
que é travada em vida
e em morte endiabrada
que no caixão se valha
da formosura dos lírios.
Humilde por essência
e não de carência
- a qual muitos possuem.
Seja carência de riqueza,
de amor ou de gentileza
que a nossa alma seduz
no simples invejar dos olhos
ou no desviar dos olhares
àqueles que se encontram
a sós, perdidos, sem lares.
O ser humano perfeito
é perfeito em tudo que faz.
No menor pentear de cabelos
cada fio alheio se esvai
e a mente é fiel companheira
dos pentes que lhe penteiam
as madeixas cerebrais:
cada pensamento em seu lugar
e nenhum dos neurônios deve
qualquer maldade em si abrigar.
O ser humano perfeito tem
um único defeito, apenas,
que nos versos passados
é omitido com labor e pena:
não é perfeito, pois não existe.
até hoje é uma quimera:
ainda após especiais efeitos
não perfaz o desejo
de quem não o exonera
da contínua batalha
que é travada em vida
e em morte endiabrada
que no caixão se valha
da formosura dos lírios.
Humilde por essência
e não de carência
- a qual muitos possuem.
Seja carência de riqueza,
de amor ou de gentileza
que a nossa alma seduz
no simples invejar dos olhos
ou no desviar dos olhares
àqueles que se encontram
a sós, perdidos, sem lares.
O ser humano perfeito
é perfeito em tudo que faz.
No menor pentear de cabelos
cada fio alheio se esvai
e a mente é fiel companheira
dos pentes que lhe penteiam
as madeixas cerebrais:
cada pensamento em seu lugar
e nenhum dos neurônios deve
qualquer maldade em si abrigar.
O ser humano perfeito tem
um único defeito, apenas,
que nos versos passados
é omitido com labor e pena:
não é perfeito, pois não existe.
domingo, 18 de abril de 2010
A vertigem das horas cedeu
ao espaço infinito do quintal.
Não sei mais quem sou eu
ou se essa estrada tem final.
Braços cruzados e pés descalços:
sujo de lama até os cabelos.
As horas urgem em espasmos
o triste fim do meu cerebelo.
O tempo implode e o som explode
um estalo seco em minha vida.
Será a vida ou a morte que me acode
após a pancada outr'ora sentida?
Os espaços foram transladados ao infinito
e os termos do início concluíram sua tarefa.
O sol brilha soberano e a terra continua girando
com uma estrela a menos, que jazia há muito
[apagada.
domingo, 28 de março de 2010
Quem será que fê-la tão bela?
A ponto de todas as outras
não se aparentarem sequer
a um leve toque de suas mãos.
Penso que deus não seja assim
tão justo, sensato e perfeito.
Se, dentre tantas outras mulheres,
fez a ti irremediavelmente linda.
Há quem ache defeito em seu olhar
- tolo! Mal sabe que aí dentro
há as coisas mais belas de se achar
e de se perder afora de ti.
Quisera o meu poema ser comparado
à métrica que existe em tuas linhas:
mãos, cabelos, dedos e unhas
- com certeza, tu és a abelha-rainha.
sábado, 27 de março de 2010
Malditos humanos
- caloteando uns aos outros
com o bendito pão sagrado
que o Divino lhes concede.
Malditos humanos
- falando das suas súplicas à toa.
Mal sabem que não são suas:
são dos outros, são de um.
Não copiam apenas a originalidade alheia.
Copiam-lhe os sentimentos e todas as dores.
Acham que o certo é certo e ainda mais:
que o errado é errado - grande erro.
Tudo é tudo e nada é nada.
Não há de ser certo o que não é errado.
E os erros e pecados alheios
hão de ser julgados em tribuna de santo ofício
[ - dentro da própria mente de quem peca.
- caloteando uns aos outros
com o bendito pão sagrado
que o Divino lhes concede.
Malditos humanos
- falando das suas súplicas à toa.
Mal sabem que não são suas:
são dos outros, são de um.
Não copiam apenas a originalidade alheia.
Copiam-lhe os sentimentos e todas as dores.
Acham que o certo é certo e ainda mais:
que o errado é errado - grande erro.
Tudo é tudo e nada é nada.
Não há de ser certo o que não é errado.
E os erros e pecados alheios
hão de ser julgados em tribuna de santo ofício
[ - dentro da própria mente de quem peca.
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