Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[desafeto
[luxúria
[infanticídio
Apregoe-me bêbedo,
lunático,
dântico,
espermático.
Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[desprezo
[sardonismo
[anti-esteticismo
Apregoe-me maldito,
passado,
malamado,
esquisito.
Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[veracidade
[ferocidade
[verbosidade
Apregoe-me desvairado,
trespassado,
irritado,
mal humorado.
Não me apregoe bom,
Apregoe-me mais.
Mas não me apregoe sem,
Apregoe-me com.
[sua voz
[sua tez
[sua foz
sábado, 13 de outubro de 2007
sábado, 6 de outubro de 2007
Babélico II (Quadro de Poemas)
V
Malfadado
Vertem em mim.
Olhares, os quais enrabichados,
Entre deletérios salivares alguns.
Outros mais e nada mais, a mim, enfim.
Delinqüidos olhos. Malgastados.
Más cores de um fiel amor avulso,
Que não meu.
Senhor tal, de só um coração
E mil afogadiços quaisquer.
T. (06/10/07 - 12h27min)
VI
O Passageiro
O Passageiro do mundo.
Um ser alheio a um milhar de outros.
Minaz aventureiro, daquelas
Míticas e ignotas peripécias.
E nós cá, senis entidades.
Dizem dele em avelórios, ávidos
Gabos, entre fuzarcas e imprudências vis.
Cândido, porém, e partículas mais de um axioma
Dos pés, que confrontaram o mundo,
Nus.
T. (06/10/07 - 13h25min)
VII
Vício
A Morte é um vício que nos contempla,
Noite e dia, a égide da dor.
Áspide da estúrdia, anverso inalar
Que sufoca, egresso de ti, de mim,
De uma vivaz agonia vítrea em olhos mortos.
Mordiscando inférteis retóricas,
Em um enlouquecer desenfreado,
No desdouro da desdita de viver.
T. (06/10/07 - 13h54min)
VIII
Utérus
Há luz, perturbante.
Dignifica-se uma insólita perversão.
Pervagando novos ares, promíscuos.
Brados insanos de uma inaudita vida.
Membros desaforados, expurgadores.
Volátil hesitação. Dúbios arremedos.
Monstrengos estranhos a fitar o ato. Enfim,
Eclodiu-se o terrífico ardor universal:
Nasceu.
T. (06/07/10 - 14h37min)
V
Malfadado
Vertem em mim.
Olhares, os quais enrabichados,
Entre deletérios salivares alguns.
Outros mais e nada mais, a mim, enfim.
Delinqüidos olhos. Malgastados.
Más cores de um fiel amor avulso,
Que não meu.
Senhor tal, de só um coração
E mil afogadiços quaisquer.
T. (06/10/07 - 12h27min)
VI
O Passageiro
O Passageiro do mundo.
Um ser alheio a um milhar de outros.
Minaz aventureiro, daquelas
Míticas e ignotas peripécias.
E nós cá, senis entidades.
Dizem dele em avelórios, ávidos
Gabos, entre fuzarcas e imprudências vis.
Cândido, porém, e partículas mais de um axioma
Dos pés, que confrontaram o mundo,
Nus.
T. (06/10/07 - 13h25min)
VII
Vício
A Morte é um vício que nos contempla,
Noite e dia, a égide da dor.
Áspide da estúrdia, anverso inalar
Que sufoca, egresso de ti, de mim,
De uma vivaz agonia vítrea em olhos mortos.
Mordiscando inférteis retóricas,
Em um enlouquecer desenfreado,
No desdouro da desdita de viver.
T. (06/10/07 - 13h54min)
VIII
Utérus
Há luz, perturbante.
Dignifica-se uma insólita perversão.
Pervagando novos ares, promíscuos.
Brados insanos de uma inaudita vida.
Membros desaforados, expurgadores.
Volátil hesitação. Dúbios arremedos.
Monstrengos estranhos a fitar o ato. Enfim,
Eclodiu-se o terrífico ardor universal:
Nasceu.
T. (06/07/10 - 14h37min)
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Os carros passam - vão e vêm.
Tão depressa, como quem tem
Um longo caminho a trilhar,
Um destino comum a alcançar.
Os carros passam - vão em vez.
Deixando um buraco numa tez
Onde outrora havia um sorriso.
Agora distante do paraíso.
Os carros passam - vez em vão.
Semeando o desastre pelo chão,
Onde marcam com sua fúria de borracha
O grito de dor e horror de quem por ali passava.
Os carros passam - vêm e vão.
Quando descobrem que também se esparramarão,
No asfalto infértil de arrancadas bruscas,
A cor amarga do sangue que agora o ofusca.
Tão depressa, como quem tem
Um longo caminho a trilhar,
Um destino comum a alcançar.
Os carros passam - vão em vez.
Deixando um buraco numa tez
Onde outrora havia um sorriso.
Agora distante do paraíso.
Os carros passam - vez em vão.
Semeando o desastre pelo chão,
Onde marcam com sua fúria de borracha
O grito de dor e horror de quem por ali passava.
Os carros passam - vêm e vão.
Quando descobrem que também se esparramarão,
No asfalto infértil de arrancadas bruscas,
A cor amarga do sangue que agora o ofusca.
sábado, 22 de setembro de 2007
Minha língua pútrida acalenta seu sexo fétido
Seus seios fartos gangrenados fazem meu corpo morto delirar.
Nosso amor necrófilo, ou morto vivo, e tudo mais.
Mas não me negue o prazer último, antes que minh'alma se esvaia em meio a chamas bruxuleantes infernais.
Sua pele em veludo negro, alva e inegável, de onde o gozar da vida provém.
Somos corpos, sem alma, sem vida.
Somos mortos, e nada mais.
Pelo último dos mortos-vivos que nasce.
Pelo falso amor que...
Theophilo.
Seus seios fartos gangrenados fazem meu corpo morto delirar.
Nosso amor necrófilo, ou morto vivo, e tudo mais.
Mas não me negue o prazer último, antes que minh'alma se esvaia em meio a chamas bruxuleantes infernais.
Sua pele em veludo negro, alva e inegável, de onde o gozar da vida provém.
Somos corpos, sem alma, sem vida.
Somos mortos, e nada mais.
Pelo último dos mortos-vivos que nasce.
Pelo falso amor que...
Theophilo.
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